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ARTE

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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

MEU DEUS QUE TENHO EU PARA TE DAR?




meu deus
que tenho eu 
para te ofertar?

noites de volúpia
sexo sem findar
vinho cor de rubi
na mesa a abarrotar
ou esta dor
que me consome
angústia existencial
a germinar

pesar de quem te ama
e na transgressão se suja
que não sabe o que ama
nem porque ama
e talvez nem saiba
o que é amar
nem porque é sujado
na violação da norma 
que da cruz nos deixaste

dou-te apenas o que te posso dar
este padecimento angústia dor
que tu em mim geraste





SEXO HOJE NEGADO




franzina nudez
de costas voltadas

pela parede 
nua amparada
reluz na alvorada

do sexo
hoje negado





MEU NOME FUMO BRANCO




aqui ali sem saber onde
sem lugar onde reclinar a cabeça – 
meu nome fumo branco





A ÚLTIMA DAS PROSTITUTAS




hoje sinto alma em corpo limpo – 
saiu da minha vida a imagem
de asco da última das prostitutas





À BEIRA DA VIA FÉRREA




à beira da via férrea
são muitos os canaviais
no trem animais     pouco mais





OS CONTRÁRIOS CONJUGAM-SE




a casa da quinta cercada de pinheiros mansos
nos campos por lavrar alguns bois bravos –
os contrários conjugam-se harmoniosamente





VERÃO INFERNAL




campos secos que brilham ao sol poente
azinheiras a amarelar de secura – 
não findará este verão infernal?





MUSA LOIRA DOS MEUS SONHOS DE VERÃO




musa loira dos meus sonhos de verão
que poderei fazer por ti nessa tua angústia

loiros cabelos sorridentes
claros como a alvorada     riso cristalino     recatado
ninfa solitária em corpo perfeito     vénus com mestria esculpida em leito de âmbar

que poderei fazer por ti?
tão nova     gentil     amaviosa
fruto esplêndido da criação

talvez nada

talvez amar-te nesta distância
em que amado e amada
deploram a ausência
e se conformam em terrível fado





ETERNA FAMA DE AVE MIGRATÓRIA




falam de mim     oiço-os     línguas afiadas no redemoinho eterno dos gorjeios obsoletos
a tua imagem muda consola-me     rodeado de árvores enlouquecidas flores negras que acenam às pérfidas palavras     doida correria da caixa nocturna a esculpir mágoas sobre o homem que esmorece no roseiral     o corpo das defuntas revolta-se em tempo de trevas pintado com cores avermelhadas     o espírito menstruado no templo da obscenidade     uma bruxa vomita cartas no zodíaco plácido que se rasga nas ondas do rio     tarde atenta ao cavalo alucinado das ramarias enredadas em copiosos pingos de gelo     misterioso florescimento de cómodo cio     pensamento imenso de brancas coxas ante abismo de vento em fúria
jaz o mel da alma na hóstia de olhos azuis
criatura fluida gerada no interior da corola     dor em flor de longos cílios
anoitece e as bailarinas gritam impropérios para além do sonho de mansas curvas
minha glória     meu prazer     
eterna fama de ave migratória 





PRAZER DE PURO AMOR




demorados
são teus cabelos
doirados

à cintura
aconchegados
em meus afagos

voz mansa
jovem e clara
diz que me ama

uma e outra vez
nas duráveis noites
de amor

meu membro
penetra-te
confins do gozo

corpos em enlevo 
entrelaçados
que vertem suor

sibilos
carne em regozijo
prazer de puro amor

amantes
pelo espírito
abençoados





VEJO-TE JUVENIL




vejo-te juvenil
bela e atraente
amada que tanto amo

sonho
com o teu perfume
aroma perturbante

com teu sexo
húmido e amplo
botão a florescer

em minha mão
em meu ceptro
tu a mais esbelta

nua das mulheres
que a velhice
me permitiu ter





DOÇURA DE TEUS LÁBIOS




doçura
de teus lábios
no meu sexo

dedos 
na escuridão 
do teu fruto

um ai
que se solta
no silêncio

como vieste
te foste – 
tudo findou





BACANTE




uma pele
de carnívoro
no chão 
brilhante
um dente 
de leopardo
na estante
e tu
bacante
olhas-te 
num sorriso
de velho
espelho
enquanto aguardas
ansiosa
o costumeiro
amante





DOCE CAVALGADA




manhã jorrada pelas persianas de penas azuis     recompensas de outro mundo nas estrelas     luzeiros ainda acesos
o viajante troteia ao vento de oeste     corcéis doirados com os passos guiados pelo deleite     são tão estranhas as vias do amor     da inveja
hoje leve e puro
amanhã pesado no rosto ensanguentado
um duelo no bosque verde     gramíneas mudas em peleja     espada guarnecida a lírios crava-se no peito de pura verdade

abram-se fêmeas
aos machos porosos
que vamos de cavalgada

enquanto no mundo se dorme
ame-se na montanha de jade
que vamos de cavalgada

doce o pensamento que se materializa
eternidade consorciada à fecundação
desígnio encapotado de mão velosa
a frequentar teu corpo de azevinho
invadido pela melancolia e saudade
que vamos de cavalgada

cavalgo-te     prospera em mim o mais límpido instinto     que venha o vinho     assim te amo assim te monto inebriado     o suor escorre     o membro cresce     teu pomo floresce     que o vinho venha     vulva alagada
movo-me violento     buscando o fundo ao gozo     quero ter-te     ouvir-te dizer que tanto é o prazer que faz doer
doer que não é dor     doer de amor
doce cavalgada





BRINCADEIRA DE MULHERES




no sofá verde
da parede amarela

brincais ao amor
pela primeira vez

jovens e belas
experimentais
o toque subtil

donzelas em erecção
uma mão na rosa
outra no botão





EXTENSO AMAR




aproximas-te
envolves-me as faces
com o veludo dos dedos

sentas-te em mim
e por horas
em breves e lânguidos
movimentos
exterminamos 
todos os pensamentos

nesse vaivém conubial
amamos
atá que a alba
solene
nos venha arrebatar
tão extenso amar





TRINDADE AMOROSA




as duas reclinadas
duas línguas fermentadas
dois lábios orvalhados
dentes alvos
que mordem o desejo

dedos que roçam
os grandes lábios 
a protrusão eréctil
num movimento surdo
perfeito extasiante

eis o que me aguarda
dois corpos em chamas
uma única alma
cálida e vibrante

a cama branca
por testemunha
do que vejo
sinto
e aproveito





terça-feira, 22 de outubro de 2013

DESENRASCANÇO, DESENRASCANCO, TANTO FAZ...





"Um site norte-americano fez uma lista das 10 palavras estrangeiras que mais falta fazem à língua inglesa. A palavra portuguesa "desenrascanço" é a que lidera.

"Bakku-shan" é a palavra usada pelos japoneses quando se querem referir a uma rapariga bonita, vista de costas.

"Nunchi" é outra das palavras escolhidas. É coreana e é usada para falar de alguém que fala sempre do assunto errado, um género de desbocado ou inconveniente.

"Tingo" é uma expressão usada na Ilha da Páscoa, Chile, e significa pedir emprestado a um amigo até o deixar sem nada.

A lista das "10 palavras estrangeiras mais fixes que a língua inglesa devia ter" é liderada pela palavra portuguesa "desenrascanço". Esta é a expressão que, segundo os autores do site norte-americano, mais falta faz ao vocabulário inglês.

O "desenrascanco", segundo os norte-americanos:

Depois de percorrer duas páginas com explicações das nove palavras estrangeiras mais fixes, chega-se ao número 1.
A falta da cedilha não importa para se perceber que estamos a falar do "desenrascanço", tão típico da nossa cultura.

"Desenrascanco: a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem meios", explica o site dando como exemplo a célebre personagem de uma série de televisão MacGyver.

"O que é interessante sobre o desenrascanco - a palavra portuguesa para estas soluções de último minuto - é o que ela revela sobre essa cultura". "Enquanto a maioria de nós [norte-americanos] crescemos sob o lema dos escuteiros 'sempre preparados', os portugueses fazem exactamente o contrário", prosseguem os autores.

"Conseguir uma improvisação de última hora que, não se sabe bem como, mas funciona, é o que eles [portugueses] consideram como uma das aptidões mais valiosas: até a ensinam na universidade e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade tem sido a chave da sua sobrevivência durante séculos".

"E não se ria: a uma dada altura eles conseguiram construir um império que se estendeu do Brasil às Filipinas" à custa do desenrascanço, sublinham os autores, terminando o texto:

"Que se lixe a preparação. Eles têm desenrascanco", termina o artigo."


VEJA:


http://sorisomail.com/email/238743/o-politico-que-representa-realmente-a-populacao.html



SEM COMENTÁRIOS ABUSIVOS...
No entanto, sempre diremos:
Governar um Estado é governar uma família alargada.
Em países como os PIGS vejo-me obrigado a concordar que os ineptos governantes - "ignorantes, incompetentes, estúpidos e vigaristas" - deveriam ser substituídos por "donas de casa"...





Este é um mundo de ladrões  criminosos de colarinho branco, governantes hediondos, todos intocáveis.
Nada irá mudar, infelizmente nada irá mudar enquanto o homem for homem...
Só mudará o que cada um de nós conseguir mudar em si mesmo.






JÁ NÃO HÁ HOMENS COMO OS DE OUTRORA




dia de eleições     até os miseráveis sorriem não sabendo porque o fazem     sem consciência do que lhe irão fazer
povo dono do sofrimento     jugo que carrega tal junta de bois irmanada 
rebelde na fala     cobarde na gesto     são milhares nos covis escondidos os que mastigam suas mágoas e expelem queixas nas águas dos bebedouros profanados
que lhes interessa se ao contíguo dói corpo ou alma?
chove aguaceiro infiel amargurado sozinho como cisne que escolhe morro para o derradeiro canto     paz às suas penas
povo enlouquecido pelo consumo exigência de cosmética social     como pardal-ladro em beirado de luz negra coça-se com o bico corroído nas partes definhadas e engelhadas
gente que grita no delírio da ficção     vinte foram os anos de oiro falso     que será deles agora amedrontados e abúlicos psicopatas?     fantasia das arcas volantes e das profecias de videntes estremunhados pelo ópio da insipiência     obtusos marujos de água adocicada pelas doações universais     broncos     toscos básicos varredores da parada
a escuta dos genitais     generais sem armas     os ais respirados com sofreguidão     invenção projectada nas páginas de uma história impressa a ranço
inculto e patético            crédulo e ridículo
apático   acrítico             besta de carga
escravo                          servil
que sofre
gazela despedaçada por leões
ovelha cercada por lobos
boi atacado por chacais
triste povo que padece no coração da infâmia     injustiça sem revolta
já não há homens como os de outrora





segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A VERDADE DE QUE O AMOR É REAL




barreiras azuis debruadas a marfim avelhentado

beethoven apura a diminuta orquestra no canto do salão purpureado

um pagode de madeira dourada aformoseia a porta das traseiras     um flautim ouve-se ao longe nas suas notas agudas     comprime-se o coração     a felicidade do novo veleiro oceânico na doca do bom sucesso     a infelicidade da partida     angustiosas luzes no firmamento pestanejam     

quem estará a bordo ao findar da madrugada?
     
quem estiver não vai voltar     
farol a abalroar a imensidade do abismo com os seus dedos prateados
e para quê? há um tempo de partida e outro de chegada
e o reencontro é mais doloroso do que a separação
nos dias que velozes se ausentam

uma embarcação ligeira faz-se ao mar     decerto pescadores
ansiedade desta noite
sem princípio nem fim

com lentidão avolumam-se vorazes saudades     
dor     lágrimas       
nenhuma oração te irá trazer
nem súplica nos fará reviver
os dias esmeralda do remanso
a lavrar incessante o amor

aguardarei pela madrugada     cansaço deitado ao lado do corpo em chagas     no orvalho matinal ressoará a tua voz
ouvirei o ribombar dos motores     irei sentir o sono dos viajantes com as cabeças vazias tombadas nas asas cinzentas     as mantas      as almofadas     o enfado
a alma constrange-se     o ventre dói     a escuridão não se dissolve
nada tem sentido para além da reclusão     sentido que se perde nos ponteiros do relógio anacrónico das gerações
tudo procria o véu amargo da ilusão

árvores que ardem na floresta     jasmins que murcham nos jardins     gaivotas que planam em terra     eiras de raparigas desertas     coração do temporal
sudoeste de tempestade espiritual     melancolia nas nuvens cortadas pelo aço da ausência

o que é que me irá trazer o dia de amanhã?
que importa se alegria se tristeza vida ou morte se depois da borrasca a calmaria na demência da solidão     vida nas lajes polidas da eterna estação dos deuses embriagados

um movimento surdo arrasta-se penoso na mente     que interessa ou pode interessar o corpo quando o espírito se queda doente?
o sono tarda     movimento contrário aos ponteiros corroídos pela maresia     para além dos muros do terraço o tejo sobrevoado     invenções demoníacas da lonjura     máquinas infernais do apartamento

por ti já não clamo
     
para que inventaste tu o amor deus de moisés     mirra e aloés esbanjado na corrente da maré     padecimento dos que no ventre da sua mãe juraram não voltar a renascer

não voltarás
que importa     se já vivemos um presente um instante transmutado em eternidade

a manhã desperta no seio de uma fadiga abençoada     beija as águas amorosamente     destino indelével de tintureiros oceânicos
na barra um cargueiro
para onde irá
porque não me leva
a mim
triste marinheiro 

levanta-se uma brisa de leste
o horizonte clareia o espaço
macio o sol nascente te veste
de espuma e luz     acaricia teu regaço
leva-te para onde a lua é quente
as águas cálidas e brilhantes
como pedras preciosas     diamantes

      
eu sou a sarça que seca     o cedro do líbano pelo lenhador despedaçado    
o que sabe que tudo é assim     e assim deve ser
que o tempo mata o impermanente
deixando em cada amante uma semente
que só germina quando a pena abunda
e é afectuosamente embargada pelo sémen da mente

que assim se impõe que seja
natural       tão natural como o amor e a morte
quando os amantes tendo o mundo por tálamo
se sintam agora e sempre em sua eterna mansão

e tenham no seu opressivo grito
a verdade de que o amor é real
a cada instante e no último hálito 






VAMOS AMAR?




pernas
nas minhas
entrelaçadas

de braço
na cintura
pergunto-te  

com o olhar – 
estamos nus
vamos amar?





NUA NA AREIA




nua na areia
praia deserta
da nossa paixão

a espuma
envolve teus seios
redondos hirtos

uma gaivota
espreita 
o movimento

gritos
de êxtase
agitam o mar





TARDE REENCARNADA




meu corpo
no teu
teu cheiro
no meu

espasmos 
consecutivos
na carne
que renasce

beleza do mundo
nesta tarde
reencarnada





QUANDO EU MORRER




quando eu morrer
não chorem     esse é o meu desejo

não quero sinos a tocar disparates
não quero velórios de bonifrates

cantem     façam amor     embriaguem-se     bailem
tragam do ancoradouro o meu veleiro
lancem as minhas cinzas ao tejo
     meia-noite na baixa-mar

rio dos meus amores     dos meus pecados
rio das perdições     dos corações despedaçados
rio em que nas noites prateadas de luar
como ninguém amei
e foram tantas as que beijei
sexo penetrado
à vista do mar


        ao abismo o que é do oceano
        terra é para homem pequeno
        mar para quem temerário 
        o soube defrontar e amar


as mil mulheres que tive     os quartilhos de vinho que bebi     as mil e uma noites que vivi rindo e sorrindo à madrugada

viço e lascívia     estúrdias e luxúria

casas que frequentei     boa e má fama     perdulário na penúria     avaro na abastança    
leitos de solteiras divorciadas casadas alternadeiras e rameiras
famas e camas nunca me faltaram

    façam peregrinações a casas de orgia
    levem rufias     carteiristas     proxenetas     
    pelotiqueiros    calaceiros     aldrabões
    femeeiros     arruaceiros
    gastem a soldada     vencimento     a pitança
    não ouçam as vozes adormentadas do povo 
    encham as mesas de mulheres e vinho novo
    soltem risadas à minha lembrança
    que o tempo passa e só vos levo a dianteira

lembrem que a cada hora morta
pensei mistérios desvendados e por desvendar
chegando até onde o entendimento humano pode chegar
pensando tudo o que há para pensar

não quero mágoas     pesadelos     saudades
tive tudo o que tinha de ter
fiz tudo o que tinha para fazer

    e

nos rochedos do cabo escrevam a vento e sombras

aqui jaz o que não lamuriamos
com setenta vezes sete vidas vividas
de alegrias felicidade êxtases e dores
nos parcos anos que deus lhe deu
e acanhadas férias que a morte lhe concedeu
navegante de corpos almas e mares
amante de vinho mulheres e tempestades





TU A RAINHA LUMINOSA




tu a rainha luminosa
túnica colada ao corpo
perfeito rosto de rosa

ameixas caem ao solo
tua beleza não
pele diáfana da natureza

toco-te levemente
um gemido ergue-se na noite
delícia que não é de gente

amor que por minhas mãos 
por horas deus te deu
e tão bem soubeste divinizar

só o divino vive eternamente





TEU CORPO FRESCO




teu corpo fresco
eco de promessa
primaveril

prazer
a deuses 
entregue

seios
a desvendar mistérios
na boca sedenta

quarto remoto
alma lírica
do vento e do trovão





ADEUS ALDEIA ADEUS




o vale consumiu a sua beleza

            incendiados os verdes pinhais
            os raquíticos castinçais
            brejos por lavrar

até os amores da infância ardem nos círios oblíquos da ermida
              morreram os poetas sonhadores     

olhos que não se deleitam nos verdes luzidios
visão contaminada pela inveja e hipocrisia das gerações doiradas

     saúdo os anciãos no peito da saudade
     inclino-me perante as campas abandonadas
     covais antigos
     a minha oração é desesperança
     meu coração tições afogueados

            a honra perdida
            nunca mais será vista
            nem alcançada

                    adeus aldeia
                        adeus





MADEIRO CORROÍDO




a porta aberta aos séculos de pássaros sombrios

a palavra que nasce da flor do espaço
             gente em peregrinação quando deus o quer
                       
                        não há sinais de sua chegada


            abraça-me senhor
            teu sagrado ventre no meu
            invade-me com teu sangue


            brame mar nas correntes
            mãos de fogo nas pétalas que sucumbem
            na boca de teus dentes

rio dos afectos
margens que se não adivinham
pupila inquieta em plumagem de verão
sinistra cascata onde o tédio se desmorona

                janelo do madeiro corroído