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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

MASAOKA SHIKI - HAIKU




Como já escrevemos (ver ETIQUETAS no fim da página do blogue » HAIKU), no domínio deste género poético, para além de Bashô, destacam-se entre outros, Chigetzu, discípula deste, Seifu – séc. XVIII –, Buson – séc. XVIII –, Masaoka Shiki – séc. XIX –, Nagata – séc. XX .

Shiki criticou Bashô na perspectiva da poesia daquele ser demasiadamente explicativa, expurgando-a da pureza que advém da captação do instante.
É deste poeta, que reunimos alguns “instantes” de rara beleza.




Uma enxada abandonada
No meio do campo vazio –
Que calor infernal



Mostro o rabo
Ao Buda –
A lua é fresca



Para trás fica o templo Zen –
Entro
Na noite estrelada



Um cão morto
É arrastado
Pela corrente gelada



Esta água pura
Sacia os ricos –
Os ursos também



Meia-noite –
A Via Láctea
Inclina-se sobre um bambu



Na areia das margens
Em cada pegada
Alonga-se a Primavera



Ao longo do ribeiro
Não vi qualquer ponte –
Dia sem fim



Uma cotovia levanta voo –
Respiro a neblina
Caminho sobre as nuvens



Solidão –
Depois do fogo de artifício
Uma estrela cadente



Numa árvore solitária
Na planície imensa
Reúnem-se as cigarras



Uma brisa suave –
No verde de mil colinas
Um templo apartado



Apanhando cogumelos –
A minha voz
É a do vento



A Via Láctea
O campo de batatas
As garças brancas



A barca e a margem
Saúdam-se
No dia que passa



Debaixo do mosquiteiro
Ela dorme
No meio da luz dos pirilampos



O paraíso?
Uma mulher
Um lótus encarnado



Chuva de Outono –
As hortênsias
Decidem-se pelo azul



O faisão grita
As nuvens fogem –
A montanha surge



No pântano seco
Morada da grande serpente
As nuvens amontoam-se



Aguaceiro de Verão
Que tamborila
Na cabeça das carpas



Os insectos zumbem
A Lua aparece
O jardim ensombra-se



Transposta a porta
A dez passos –
O vasto oceano de Outono



Quem detesta este mundo
Tem obrigação de amar
As flores do cardo



Ilhas
Pinheiros nas ilhas
E o sussurrar fresco do vento



No mais alto dos campos
O espantalho
Cobre a cabeça de nuvens



A noite não tem fim –
Penso
Para quem vier daqui por dez mil anos



Um grande Buda –
Frescura
Inumana



No jardim branco
Vem cagar
Um gato vadio



Fonte termal
A Via Láctea
Sobre corpos nus



Os mosquitos do Outono
Picam-me –
Estão decididos a morrer


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