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ARTE

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

CÂNTICO DOS CÂNTICOS









I – DIÁLOGO APAIXONADO


Ela

Que o Amante me beije
Com os mais adocicados
Beijos de seus lábios

Melhores são tuas carícias que o vinho

Ao olfacto
Estimulante é teu perfume
E tua fama aroma que se difunde

Todas as virgens te amam

Arrasta-me contigo
Vamos vamos
Corramos

Que o rei me faça entrar em seus aposentos
Contigo haverá folia e alegria

Uma taça de vinho puro
Nada será quando teus amores
Cantarmos
Quando os celebrarmos

Não é sem razão que elas por ti clamam
E como te chamam amado

Mulheres de Jerusalém
Sou morena sou formosa
Como tenda sumptuosa de Quedar
Como tecido de Salomão

Não estranhes que trigueira eu seja
O Sol abrasou-me

Os filhos de minha mãe
Comigo se indignaram
A guardar suas vinhas me coagiram

E a minha não guardei
Da minha não cuidei

Lança-me um aviso
Tu
Sim tu

Avisa-me porque és avisado

Onde apascentas teu rebanho
Onde o resguardas ao meio-dia

Que eu não vagueie escondida
Atrás dos rebanhos de teus companheiros



Ele

Se o não sabes
Ó mais bela entre as mulheres
Sai na esteira do rebanho
E apascenta tuas cabras
Junto das cabanas dos pastores

A ti te comparo amiga
A égua entre os carros do Faraó

São esplêndidas tuas faces
Entre os brincos pendentes
Que meneias alegremente

Belo é teu pescoço
Com preciosos colares
Adornos exuberantes

Para ti arrecadaremos ouro
Com incrustações de prata



Ela

Enquanto o rei estiver no seu leito
Meu nardo dará seu perfume
Meu Amado é para mim bolsa de mirra
Que em meus seios repousa

Ele é um cacho de alfena
De flor branca e baga preta



Ele

Ah Como és bela
Lindos são
Teus olhos de pomba



Ela

Ah meu Amado
Como és belo
E doce nosso leito
Ameno e verdejante

A nossa casa por vigas tem cedros
E por tecto ciprestes








II – VEM O AMADO


Ele

Como lírio
Que viceja entre cardos
É minha Amada
Entre as virgens



Ela

Tal como a macieira
De branca flor
Entre as árvores
Da floresta copada
É meu Amado
Entre airosos
E esbeltos

Como anseio deliciar-me com sua sombra
Como seu fruto é doce ao meu paladar

Que me leve para a sala da boda
E a sua bandeira do Amor
Se erga perante mim

Sustentem-me com doces de passas
Fortaleçam-me com maçãs
Porque de amor desfaleço

A sua mão esquerda
Apoia minha cabeça
A direita me abraça

Conjuro-vos mulheres de Jerusalém
Pelas corças e gazelas que há no monte

Não desperteis e
Não perturbeis
Meu Amor
Até que Ele o queira

Eis a voz de meu Amado

Eis que meu Amado chega

Corre montes
Salta colinas

É como um gamo
Ou filhote de gazela

Eis que espera
Atrás do muro
Olha pelas janelas
E pelas frinchas espreita

Eis o meu Amado
Que me fala



Ele

Levanta-te Amada
Anda
Vem comigo

Ó bela entre as belas
O Inverno já findou
A chuva parou

Nascem flores
No tempo das canções
E a voz da rola
Ouve-se pela terra

Tempo de amor

Da figueira brotam figos
Das vinhas floridas vem
Um perfume arrebatador

Levanta-te Amada
Anda vem estende-me a mão
Anda vem comigo
Bela Amada

Liberta-me desta dor
Pomba das fendas da fraga
Do ápice dos penhascos
Deixa que contemple teu rosto

Permite que tua voz oiça
Tua voz é doce como mel
E teu rosto encantador

Que as raposas nos acossem
As raposas que as vinhas devastam
Nossas vinhas floridas
Nossas terras ornadas



Ela

Meu Amado é para mim
Eu para meu Amado

Ele é o pastor que
Entre lírios caminha
Até que o dia desponte
E as sombras mirrem

Volta Amado
Tu tal gamo
Tu filhote de gazela

Volta
Pelas quebradas dos montes
Pelas veredas das serras







III – SONHOS DE AMOR


Ela

No meu leito ambarino
Do crepúsculo à aurora
Busquei por quem meu
Coração clama
E minh´alma chama

Procurei-o em vão
Com mãos agitadas
E saudosas

Busquei-o e não o encontrei

Levanto-me e pela cidade andarei
Sem rumo nem norte

Por praças e ruas
Procurei
Aquele que
Meu coração ama
E por quem
Meu corpo ofereço
À morte

Não o encontrei

Mas aos guardas da ronda
Da noite negra
Questionei
Vistes vós aquele que amo

Deles me apartei
E logo meu Senhor vi
Altivo
Forte

Muralha de meu coração
Levada e leito
De minha alma

Abrangi-o com meus braços
E dele não me arredarei
Até que entre em casa de minha mãe

No quarto onde fui gerada

Conjuro-vos mulheres de Jerusalém
Pelas corças e gazelas que há no monte

Não desperteis e
Não perturbeis
Meu Amor
Até que Ele o queira

O que é que do deserto sobe
Como coluna de fumo
Exalando aromas
De incenso e mirra
E todos os perfumes
De todos os mercadores de bálsamos

Eis a sua liteira
Com varais de oiro
Liteira de Salomão

Eis os que a levam
Sessenta guerreiros de Israel
A escoltam cingidos de espada

Olhos de lince
Prontos para o combate
Sem que da noite medo tenham

Um dossel Salomão para si fez
Com madeiras do Líbano
De prata os seus pilares
E de ouro o encosto
Assento de púrpura onde vem
E o interior
De amor incrustado
Pelas mulheres de Jerusalém

Saí
Vinde mulheres de Sião
Admirai Salomão com o diadema
Com que sua mãe o coroou
No dia em que casou
No dia em
Que seu coração festejou







IV – BELEZAS DA AMADA


Ele

Ah Como és bela
Como estás linda

Teus olhos são pombas que o véu esconde
O teu cabelo é rebanho
Que do monte desce

Teus dentes ovelhas tosquiadas
Que geraram gémeos
Todas tiveram filhos

Os teus lábios são fita escarlate
E tua fala encanta e inebria

Tuas faces metade de romã
Que o véu cala

Teu pescoço a Torre de David
Para troféus erguida
Dela mil escudos pendem
Broquéis dos heróis

Os teus dois seios
Filhotes gémeos de gazela
Apascentados no meio dos lírios
Antes que surja a alva
E as sombras se desvaneçam

Quero partir para o monte da mirra
E para a colina do incenso

Bela toda bela és tu
Minha Amada

Defeito em ti não há

Vem do Líbano esposa
Vem do Líbano vem acerca-te

Desce do cume de Amaná
Do cume de Senir e de Hermon
Do covil dos leões
Do esconderijo dos leopardos

Por ti foi meu coração roubado
Minha irmã minha noiva

Furtaste-o com o teu olhar
Com uma só conta do teu colar

Como são doces tuas carícias
Irmã e noiva

Melhores que vinho
Melhores que todos os odores
E o aroma dos teus perfumes

Os teus lábios exsudam doçura
Há leite e mel sob a tua língua
E o odor das tuas vestes
É bálsamo do Líbano

Tu és um horto fechado
Minha irmã minha esposa

Tu és um jardim calado
Uma fonte selada

Os teus rebentos
São pomar de romãzeiras
Com frutos de delícia

Com alfenas e nardos
Nardo e açafrão
Cálamo e canela
Árvores de incenso
Mirra e aloés
Bálsamos

És fonte de jardim
Nascente de água viva
Que jorra do Líbano



Ela

Levanta-te vá levanta-te vento Norte
Vem vem vento do Sul
Vem soprar no meu jardim

Que seus perfumes se espalhem
Para que o meu Amado entre no seu jardim
E coma de seus frutos







V – PROCURAR O AMADO


Ele

Entrei em meu jardim
Minha irmã minha esposa
Colhi mirra e bálsamo
De meus favos de mel
Bebi do meu vinho
Bebi do meu leite

Comei companheiros
Bebei camaradas
Bebei embriagai-vos
Ó bem-amados



Ela

Eu dormia
Mas meu coração
Estava desperto

Chamam Chamam
É a voz de meu Amado



Ele

Abre irmã
Abre amiga
Pomba excelente

Tenho a cabeça coberta de orvalho
Meus cabelos escorrem as gotas mais puras da noite



Ela

Já despi a túnica
Voltarei a vesti-la
Lavei meus pés
Voltarei a sujá-los

Meu Amado suas mãos passou pela fresta
Por ele estremecem minhas entranhas

Levantei-me e abri a porta de meus sonhos
Minhas mãos e dedos escorriam mirra
Nos trincos da velha fechadura

Abri a porta ao Amado
E o Amado desaparecera

Fora de mim
Corro atrás de suas palavras

Procuro-o
Não o encontro
Chamo-o
Não me responde

Encontro os guardas
De ronda à cidade
Espancam-me
Ferem-me
Arrancam-me o véu
Com desprezo

Conjuro-vos mulheres de Jerusalém
Se encontrardes meu Amado
Dizei-lhe que de amor desfaleço



Elas

Que é teu Amado
Mais do que um amado
Ó mais bela entre as mulheres
Que é teu Amado
Mais do que amado
Para que assim nos conjures



Ela

Meu Amado alabastrino
E rosado distingue-se
Entre dez mil

Sua cabeça é ouro maciço
Seus cabelos cachos de palmeira
Negros como corvo

Seus olhos são pombas
Nos cachopos das águas
Banhadas em leite
Pousadas na ribeira

Suas faces canteiros de bálsamo
A ver altear plantas perfumadas

Seus lábios lírios
A gotejar mirra
Que se difunde

Seus braços ceptros de ouro
Cravados
De pedras de Társis

Seu ventre
Marfim polido
Crivado de safiras

Suas pernas
Pilares de alabastro
Assentes em ouro fino

A sua aparência é como a do Líbano
Jovem esguio e esbelto como cedro

Sua boca exala doçura

Ouvi
Este é o meu Amado
Este é o meu amigo
Mulheres de Jerusalém







VI – NOVO RETRATO DA AMADA


Elas

Onde foi teu Amado
Ó mais bela entre as mulheres

Onde foi teu Amado
Contigo o buscaremos



Ela

Meu Amado
Desceu ao jardim
Canteiro dos aromas

Apascenta nos jardins
E colhe lírios

Eu sou para o meu Amado
Assim como o meu Amado
É para mim

Ele é o pastor que vagueia entre lírios



Ele

Tu és bela minha Amada
Bela como Tirça
Esplendorosa como Jerusalém
Temível como todas
As coisas grandiosas

Afasta de mim esses teus olhos
Que me enlouquecem

Tua cabeleira é rebanho
De cabras
Que desce de Guilead

Teus dentes rebanho
De ovelhas
Saindo do banho
Depois de tosquiadas
Todas deram gémeos
Todas deram filhos

As tuas faces
Metades de romã
Por detrás do véu

Sessenta são as rainhas
Oitenta as concubinas
E donzelas não há
Quem as conte

Mas ela é única
A minha pomba
A perfeita
A mais perfeita perfeição
A sem pecado nem tentação

É ímpar para sua mãe
Dilecta de quem à luz a deu

As donzelas prestam-lhe louvor
Rainhas e concubinas celebram-na



Elas

Quem é essa
Quem é essa que desponta
Como a aurora
Bela como o Lua
Cintilante como o Sol
Esplendorosa e temível
Como as coisas grandiosas



Ela

Desci ao jardim das nogueiras
Para admirar o vale
Para ver as vides rebentar
E os cachos a abrir

Não conheço a ânsia
Que me arroja
Na carruagem do meu príncipe







VII – A DANÇA DO AMOR


Amigos

Volta-te volta-te Sulamita
Volta-te
Queremos ver-te
Que vemos nós na Sulamita
Quando entre dois coros baila



Ele

Como são harmoniosos
Ó Princesa
Teus pés nas sandálias

Assemelham-se a colares
As curvas dos teus quadris
Obra de exímio artista

Teu umbigo
Taça redonda
Que não escasseie vinho doce

Teu ventre
Monte de trigo
Cercado de lírios

Teus seios
Filhos gémeos
De gazela

Teu pescoço
Torre de marfim

Teus olhos
Piscinas de Hesbon
Às portas de Bat-Rabim

Teu nariz Torre do Líbano
De vigia
Voltada para Damasco

Tua cabeça é altiva
Tal Monte Carmelo
Teus cabelos púrpura
De seus laços têm um rei cativo

Como és bela Amor

Porte de palmeira
Teus seios são seus cachos

Meditei
Subirei à palmeira
Colherei seus frutos
Sejam pois
Teus seios cachos de uvas
E teu hálito perfume de maçãs

A tua boca que do melhor vinho bebe



Ela

Que ele sobre meu Amado escorra
Que lhe molhe os lábios adormecidos

Ao meu Amado pertenço
Ao meu Amado desejo

Anda vem meu Amado
Corramos corramos
Ao campo
Passando a noite abrigados
Pelos altivos cedros

Madruguemos nos vinhedos

Dar-te-ei carícias
Enquanto as mandrágoras
Exalam seu perfume

Todos os frutos
Para ti guardei Amado







VIII – PARÁBOLAS DO AMOR


Ela

Se meu irmão fosses
Amamentado pelos seios de minha mãe
Encontrar-te-ia na rua
E sem censura de ninguém
Haveria de beijar-te
Longamente te beijaria

Quem me dera fosses meu irmão

Levar-te-ia para casa de minha mãe
E tu havias de me ensinar

Dar-te-ia vinho perfumado
Do mosto das romãs

Com a sua mão esquerda
Debaixo de minha cabeça
Enquanto a direita me abraça
Eu vos conjuro mulheres de Jerusalém
Não desperteis
Nem perturbeis
O meu Amor



Elas

Quem é que sobe do deserto
Aconchegada ao seu Amado



Ela

Sob a macieira te avivei
Onde tua mãe sentiu as dores
Que à luz te deram

Grava-me no teu coração
Com um selo sagrado
Grava-me como selo no teu coração
Grava-me como selo em teus braços
Porque
O Amor é forte como a Morte
De novo te digo
Forte como a Morte é o Amor
Implacável tal abismo é a paixão
E seus ardores labaredas divinas

O fogo do Amor é inextinguível



Irmãos

Temos uma irmã pequenina
Ainda sem seios
Que faremos quando dela vierem falar

Se ela for muralha
Nela faremos ameias de prata
Se porta for
Será reforçada com traves de cedro

Não temos de nos preocupar



Ela

Sim
Eu sou muralha
E
Meus seios torres
Por isso
A seus olhos transformei-me
Na que a paz traz



Ele

Salomão tinha uma vinha
Em Baal-Hamon
Confiou-a a guardas
Dando a cada um pelo fruto
Mil moedas de prata

É minha a minha vinha
A minha vinha comigo fica
E para ti Salomão
As mil moedas de prata
E mais duzentas
A quem lhe guarda o fruto

Estás sentada nos jardins
E ouve-se a tua voz
Deixa que te oiça também



Ela

Corre meu Amado
Como gamo ou filhote de gazela
Pelos montes perfumados


Versão de José Maria Alves

2 comentários:

Talles azigon disse...

eu como sou todo fã da poesia gostei muito do seu trabalho que tal melhorar o visual e dá uma divulgada

grandes abraços e parabéns pelo trabalho

José Maria Alves disse...

Boa tarde Talles

Bem Haja pelas suas palavras.

Infelizmente isto é o melhor que sei fazer. O computador é para mim uma máquina de escrever.
No site pessoal - homeoesp.org - estou inclusivamente dependente de uma empresa para editar novos livros...

Eu sei, que o seu interesse pessoal é a Poesia.
Mas, para mim, os tratamentos homeopáticos que investigo há largos anos, são de uma vital importãncia. Se fossem devidamente conhecidos, poderiam ainda salvar milhares de pessoas ou minimizar o seu sofrimento.

Enfim, aguardo que pouco a pouco, degrau a degrau, o meu trabalho em favor dos mais desfavorecidos se vá promovendo.

Um grande abraço.

Zé Maria