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ARTE

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

CARTA AOS JOVENS DO SÉCULO XXI











A quase totalidade dos jovens não tem confiança nas instituições de carácter político.
A quase totalidade dos jovens não tem confiança nas instituições judiciárias.
A quase totalidade dos jovens não confia na autoridade.
A quase totalidade dos jovens não confia na religião e seus representantes.
Uma parte dos jovens ainda confia na família.


Grassa a desonestidade, a imoralidade e mesmo, a amoralidade.

Vivemos um mundo de indiferença aureolado por uma carga negativa num deserto espiritualmente imundo.

O ser humano não “cresceu” nos 10.000 anos de “civilização”. Limitou-se a aperfeiçoar técnicas, a maioria violentas, odiosas e degradantes.



Mais de cinquenta por cento da população mundial vive actualmente em estado de miséria ou pobreza extrema, com um rendimento inferior a dois dólares diários.

Mais de 20.000 pessoas morrem por dia em consequência da fome e da pobreza extrema.
A cada 3,5 segundos um ser humano morre em consequência da fome.
A globalização torna os pobres mais pobres e os ricos mais ricos.


Nos finais do século XX existiam 1,2 mil milhões de pessoas que viviam em pobreza absoluta e aviltante, ou com um rendimento de 1 dólar ou menos por dia, valor que se manteve estável na sua última década.
Metade da população mundial – cerca de 3 mil milhões de pessoas – vivia com dois dólares por dia ou menos.

Em 2006, numa população total estimada em 6,5 mil milhões de almas, 1,3 mil milhões não tinham acesso aos cuidados médicos mais básicos.
Faltam mais de quatro milhões de profissionais de saúde no mundo, escassez que é sentida essencialmente em África e na Ásia.


Em 2000 existiam 150 milhões de desempregados e 750 milhões em situação de subemprego.
Mais de 250 milhões de crianças trabalhavam como mão-de-obra infantil e 120 milhões não frequentaram a escola primária.
Em África 70% da mão-de-obra concentrava-se na agricultura e 40% das crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos eram obrigadas a trabalhar.

Praticamente, de um terço a metade de todas as mulheres foram sujeitas a violência física por parte dos companheiros.


Apenas como curiosidade mórbida, triste e trágica, diga-se que os bens dos três homens mais ricos do mundo, são manifestamente superiores ao Produto Nacional Bruto de todos os países menos desenvolvidos e dos seus 600 milhões de habitantes... E isto, enquanto todos os anos morrem 3 milhões de pessoas como consequência da poluição e mais de 5 milhões por doenças diarreicas originadas pela contaminação da água.


Aguardando-se que a população supere os 7 mil milhões até ao ano de 2015, com 98% do aumento a registar-se nas regiões pouco desenvolvidas, o panorama é quase assustador. A pobreza continuará a aumentar, bem como a carência dos mais básicos cuidados de saúde, malgrado as palavras de políticos e altos dirigentes, tão imbuídas de esperança quanto de falsidade e hipocrisia.

Os animais continuam a ser tratados de modo desumano, sem protecção eficaz, porque são apenas “animais”.



Quem quiser um mundo melhor terá de lutar por ele. Quem quiser um mundo melhor não se poderá abster.
É urgente uma revolução no amor, na cultura e na moral.
A sociedade actual é funestamente mentirosa: atribui aos jovens a responsabilidade do futuro, mas incute-lhes princípios monstruosos.
A sociedade actual quer forjar o futuro do homem por calamitosos métodos pedagógicos e pela comunicação social.
Se os perfilharem, o futuro não será ridente, mas algo de demoníaco e aterrorizante, onde o homem será cada vez mais lobo do próprio homem.
Se o século XX foi o século de Caim, o XXI será o de “Satanás” feito gente.


É esta a realidade que vos querem esconder e fazer esquecer.
É esta a realidade que vos querem deixar em testamento, caminho armadilhado de minas dissimuladas.
Repudiai tal testamento, renunciai a ideais contaminados pela ambição, pela crueldade, pela corrupção. Que os seus autores os transportem consigo para o coval que para vós demarcaram.

É este o mundo que quereis?

Que mundo é este?
Que gente esta?
Que bando de famigerados malfeitores este?

É este o mundo que quereis?

Respeitai tudo o que ao respeito se dá.
E revoltai-vos, indignai-vos contra o que de nenhum respeito for merecedor.



Revoltai-vos
Que cada um de vós seja uma das vozes da indignação
Que cada um de vós seja uma das vozes da revolta
Revoltai-vos
Um a Um
Cada Um
Por si
Pelos outros
Por todos os que hão-de vir






QUE ESTE SEJA O VOSSO MANIFESTO PARA TODO O SEMPRE
AMOR - LIBERDADE - BELEZA



Onde houver Amor não haverá guerra ou fome
Onde houver Liberdade não existirá iniquidade
Onde houver Beleza haverá Felicidade








Negai este mundo
Não a sua realidade
Mas os seus rótulos

A história da humanidade inumana
É um incessante desfilar de agressões e crueldades
Mais guerras do que anos
Hipocrisia cinismo falsa modéstia autocaridade
Corrupção aproveitamento próprio
Por breves momentos salpicada de compaixão
Em que homens raros de um planeta de predadores
Purificados da avidez da inveja e da ambição
Derramaram Amor nos seus semelhantes
Raros são
Raros serão
A menos que a Revolta se instale nos vossos corações


Os homens temem a morte
O que os espera
Que não será o que esperam
Nem o que julgam

Só morrendo em vida conheceremos a Morte
Mas só pode morrer em vida quem vive
E não quem nunca viveu ou
À vida se deu

De que vos serve uma vida longa se nem por um dia vos destes à Vida
De que vos serve acumular anos apegados a estúpidas ilusões e asnáticos ídolos
Asnáticos artistas saltimbancos de jornais borra-botas e revistas cor-de-rosa que apenas servem para vos desviar do essencial e fazer crer que esse produto nacional é a vossa glória e o alicerce do vosso futuro
Para que gritais e agitais bandeiras mostrando aquilo que não sois mas em que vos querem tornar
Governar um bando de imbecis
Assim será mais fácil governar


Não vos apegueis a clubes
Associações
Partidos
Selecções
Grémios e
Religiões
Que mais não são do que prisões


Irradiai adivinhadores
Bruxos astrólogos videntes
Encantamentos possessões amarrações
Bruxedos mau-olhado feitiçaria
E tantas outras crendices
Forjada por impostores
E apadrinhada pela comunicação social
Mãe de tantas sandices
Artífice de tantos tolos idolatrados
Que ignorados apenas deveriam ser


Estado Políticos Filosofias Religiões
São o ventre gestante de absurdos imperativos
Que aniquilam a Beleza e o Amor
Extermina-os
Extermina de quando em vez o teu eu
Para alcançares a Liberdade
Para alcançares a Realidade


Não há cristãos budistas muçulmanos hindus ateus democratas comunistas portugueses chineses
Há Homens
Não há nações
Somos cidadãos do Mundo


Que os cerimoniais e outros aspectos formais da existência vos não afectem nem iludam
Um general numa farda imponente
Com o peito minado de condecorações
Um magistrado na sua toga negra
Um papa de vestes sumptuosas
Se nus
Mais não são do que pobres-diabos

Um papagaio engravatado
É sempre um papagaio engravatado
Tal como um macaco vestido de púrpura
É sempre um macaco asinino
Deita as citações no cesto dos papéis
Tolo tolo aprendiz da lida de catedrático
Insensato como criança ou menino
Lê-te a ti mesmo e à Vida


Sociedade de aparências
Carro topo de gama
Casa luxuosa
Carne para o cão que não há
Peixe para o gato que não existe –
Fome em casa


Desmascarai temerariamente
Embusteiros e hipócritas
Que decentes e honestos
Aos olhos do mundo querem aparecer
Mas são grosseiros e viciosos
Corruptos imorais e manhosos

Criaturas vis violentas mesquinhas
Para com seus irmãos e para ti
Criaturas
Miseráveis infelizes
Ansiosas em si


Corrupção e compadrio
Qual a diferença entre o que
Por dinheiro se vende
Por qualquer valor
E quem por poder o faz
Ou até por amor


Avaliai o progresso
Entendei as suas duas faces
Aniquilai-o sempre que destrua
O crescimento do espírito

Esta sociedade já à falência foi apresentada
Por débitos –
O compadrio o aproveitamento próprio a corrupção
De seus gestores e administradores
A miséria e resignação dos desvalidos
Sem voz e coração destroçado
Para quem a mais forte esperança
Apenas na morte reside
Por créditos –
A aparência a falsidade e a presunção


Não permitam que os animais sejam desumanamente tratados
Quer por simples prazer
Quer por negligência
Quer ainda para utilização decorativa

Um animal não é muito diferente de nós
E se o for
Será para melhor

Olhai nos seus olhos
Senti as suas emoções
Estai atentos às suas manifestações
Dai-lhe voz
A eles
Que se são diferentes
Diferentes
Leais
Bem melhores do que nós
Lutai por uma legislação eficiente Muitos Estados que se dizem desenvolvidos têm legislações desadequadas e ineficazes enquanto as autoridades nada fazem por ignorância ou displicência

Erguei a vossa voz em nome de quem a não tem
Erguei sempre a vossa voz em nome de quem a não tem

Chegará o dia em que os crimes perpetrados contra animais serão considerados crimes contra a humanidade


Não deixeis que o mundo seja destruído pela ambição
As florestas já existiam antes do homem
Agora seguem-se-lhe os desertos
São esses desertos que vos estão destinados
Pobres jovens artificiosamente enganados


A humanidade está em nós
Debruça-te sobre a tua janela
Vê o desespero que desfila
A angústia que no coração se instala
O entusiasmo A fadiga A alegria
Tudo isso somos nós
Nós sós
Nós e o mundo
O mundo e nós

O mundo somos nós
E nós somos o mundo







Negai as revoluções colectivas
Vós apenas vós
Cada um de vós
É a única e verdadeira revolução

Não tentes mudar os outros
Seja em nome de Deus
Seja do Amor
Seja de um qualquer ideal

Mesmo que te acusem de seres indiferente ao mundo
Lembra-os que a luz da Polar é débil mas indica o Norte com segurança aos navegantes
Que algumas poucas gotas de água podem salvar a vida ao náufrago e
Que uma candeia não ilumina uma floresta mas pode incendiá-la


Não permitais que o homem mate
Impiedosamente
Em nome de deus
Da religião
Do estúpido nacionalismo
De uma revolução dissimulada
Do faccioso partidarismo
Ou de qualquer outra mascarada
Inventada por quem escrúpulos não tem


Uma revolução violenta é apenas uma revolução violenta Revolução política Falsa mudança do estado das coisas
A revolução individual revolução psicológica se por muitos realizada tornará o mundo melhor
Nenhuma revolução triunfa se não revolucionar os vossos corações
Só atingirá objectivos válidos se for o somatório das revoluções individuais

Que cada um branda o acutilante e aguçado punhal da Verdade
Que cada um saia às ruas às praças sem temor e acuse os falsos doadores de felicidade e confiança
Que cada um saia às ruas para que as ruas sejam Liberdade para que o Mundo seja Esperança
Sorrindo às estrelas e à Lua
Ao Sol e ao luar de prata que exala dos olhos da Criança Nova







O Amor dispensa a reciprocidade
O Amor aniquila o egoísmo
O Amor dispensa a moral
E torna obsoleto o Direito

Ama quem voa num oceano de Liberdade
Ama quem no deserto infindo se perde
Se quem ama vive mais no que ama do que em si
Já não está aqui Habita na eternidade

Ama o Amor
Amor que é sensibilidade por tudo e por nada


Não dês para receber
E quando deres
Que sejas tu a agradecer

Que a vossa mão esquerda não saiba
O que a direita doa ou faz
Não faças oferendas esperando retribuição
Não compres a divindade com orações
Não a confundas com vigaristas e vendilhões


As uniões amorosas
Só poderão sobreviver enquanto o Amor existir
Se se extingue
Extingue-se a relação
O casamento não é um contrato forçado irresolúvel vitalício
Mas acordo a evitar
Se se quiser usufruir de liberdade

Só haverá relação
Só haverá confiança
Na imersão total do Amor


Queres saber o segredo
O segredo dos segredos
Não não é degredo
Ou solidão -
Morre para o passado
Vive no mundo sem ser do mundo
Caminha só na vereda da Vida com o abismo à espreita
Solta amarras Iça a vela grande
E parte rumo ao Nada
Sem que temas a tempestade nem desejes a calmaria
Consciente de que nada nem ninguém
Tem o poder de te retirar a Paz e o Amor

Ninguém tem o poder de te fazer feliz
És tu que decides se queres ou não ser feliz

Tu és o Amor
O Amor é Beleza
O Amor é Liberdade
A Liberdade é Beleza
Onde há
Amor
Liberdade
Beleza
Há Paixão
Há Criação







Escolhe a tua própria liberdade
Não deixes que por ti a escolham –
A Liberdade de um rio
De uma árvore
Dum milhafre

Sê livre
Não democrática mas psicologicamente
Liberta a tua mente do ciúme inveja ambição
Abre a tua mão
Aí está a liberdade
Aí está a liberdade sem limitação

Vós sois livres
Não sois carneiros
A apascentar nas colinas e outeiros
Como rebanhos de homens
Miseráveis e subjugáveis

Não permitais que o Estado
Esse aborto horrendo eduque vossos filhos
Não vos demitais do que por direito natural vos foi confiado
Os vossos filhos são a esperança do porvir
São a vossa esperança
São a nossa fé regozijo de nossa alma infeliz


Se vos libertardes dos vossos condicionamentos
Da autoridade interior e exterior
De dogmas crenças doutrinas
Sereis livres


Expõe-te sem temor A contenção sentimental que visa o agrado é pura hipocrisia

Que cada um seja o que é
A mudança compulsiva pressupõe esforço
O esforço é contenda
A contenda padecimento

Morrer para o passado para viver o Agora
Ser-se o que se é
Não querer ser
É o princípio da mudança

As coisas mudam constantemente
A cada momento
Só o não-condicionado o entende
Só o que está livre de contradição
Que é independente e solitário
O percebe

Só é livre
Quem sozinho caminha
No deserto ou na multidão
Na luz ou na escuridão

Afasta todos os medos E são tantos
Não temas o conhecido
Não temas o desconhecido
De nada te adianta conheceres a sua causa
Escuta-o
Escuta o sofrimento
Ouve-o e sente
É apenas pensamento
Morre com ele a cada instante
Morre e Vive
De novo
Inocente







Nunca te vergues a políticos e poderosos

O Estado é a propriedade dos privilegiados
E os privilégios são iniquidades
E as injustiças devem ser exterminadas

Não podemos confiar em nenhum sistema de governo seja ele qual for
Todos em essência são manifestamente corruptíveis

Confiai em vós não nas instituições
Confiai nas vossas próprias leis e determinações

Qualquer governo
Queiram ou não
Transforma-se numa ditadura
De modo directo ou velado
Num lugar de escravatura
No centro da opressão


O estado é um monstro frio
A quem o coração morreu
Vive da carne e sangue
De indefesos e desgraçados
Do luto dos esfomeados


Não condeneis a riqueza
Não deixeis que a inveja vos consuma
Condenai a opulência
Condenai a avareza
Condenai a ganância

Se os ricos forem cada vez mais ricos
Que os pobres sejam cada vez menos pobres
Por ora basta-nos
Mas só por ora
Depois se verá


Que em vossas casas e países
Não entrem os que no mundo
Verdadeiros homicidas e ladrões
Roubam e assassinam seu povo
Alimentado no lixo dos latões
Governantes sem piedade
Criminosos da humanidade
Tratai-os como merecem
Sem um único aplauso
Sem o menor indício de consideração
Dizei bem alto
Ide-vos salteadores


Não há altos nem baixos dignatários
Há bons e maus profissionais
Prefere um bom varredor de ruas
A um mau presidente


Propaganda eleitoral
Promessas vãs palavras dóceis
Mentiras fáceis
Beijos pelas ruas
Um sorriso teatral
Programas lançados à lua

O político tem duas línguas
Raramente dando uso à primeira
Que é a verdadeira
Mas apenas à segunda
Serva da oportunidade
E da sua necessidade

Político labrego
Será sempre labrego
Sem raiz
Que porventura com o tempo
Aprenderá a arte das palavras
Melodiosamente falsas
Com o ranho a escorrer do nariz


Entre ter telhados de vidro
Ou algum que de palha seja
Preferível será não ter nenhum


Não é o que tens Não é o ter
Que faz de ti quem és
Se caminhas em quatro patas
Descobre que podes caminhar em duas
Vislumbrando novos horizontes


O brilho da opulência é a escuridão da alma
Por isso a alma da igreja é escura como breu
Apregoa-se a pobreza a caridade
No meio de colunas e capiteis doirados
De paramentos ricamente bordados
Que vestem hipócritas falsos santos
Enquanto Jesus nu e faminto
Em carne viva de chaga em dor
Anda de porta em porta
Na alma dos seus pobres







Tantas estrelas no céu profundo
Tantas montanhas recortadas pela luz incendiante da aurora
Flores exuberantes
Águas cintilantes
Vales verdes de pão ondulante
E contudo
A hipocrisia e a baixeza
A pequenez e a farsa
A impostura e a falsidade

A verdadeira Beleza tudo transcende
Seja a forma seja a cor
Assim como a Criação só germina
Onde existe destruição







Paz caridade humildade
Hinos de amor
Palavras ocas
Poder guerra e ambição
Armas loucas
Nas mãos
De assassinos
De políticos impostores
E falsos senhores







Sem justiça justa
Não há crescimento económico
Sem justiça comutativa
Não há liberdade
Há prisão
Sem justiça distributiva
Não há igualdade
Há favor
Sem educação
Não há crescimento
Há barbaridade
Sem saúde
Há miséria dor e choro


Que a justiça não seja uma ficção
Que a igualdade seja uma realidade
Que os homens sejam leais
Que a magistratura desconheça a discriminação
E a autoridade as classes sociais







Não confundam nunca conhecimento e sabedoria

Vejam como o mundo se enche de sendeiros
De curta vista diplomados e
Atestado está de doutores analfabetos
E de alguns analfabetos que são doutores
Mandando quem menos sabe
Porque se quem sabe ordenasse
Fosse o que fosse
Os impostores não teriam assento
Nem lugar onde se acoitar


O que vale a ciência
Quando confrontada com o céu estrelado
De que vale a filosofia
Face ao deslumbre de um vale
Enriquecido por um rio

Aprende a usar os teus olhos
Ouvidos nariz boca e mãos
Irão conduzir-te à Realidade







O trabalho é o que é
Um modo de subsistência
Nada tem de prestigiante
Quando se transforma em luta


Mais não é
Do que mulher da rua ou puta


Trabalho e riqueza são invenções do estúpido progresso
Trabalhai porque tal é necessidade vital
Mas não olvideis a Paz a Beleza e o Amor em prol duma qualquer estéril carreira profissional







Não vos comporteis como senhores do Cosmos
Quando nem por um momento vos aproximastes da Verdade e tudo é mistério

Livros divinos da revelação ideia de deus
Tudo o pensamento gerou
E o pensamento é limitado
Construiu tudo o que está para além da natureza

O que é limitado só pode atingir o limitado nunca o Absoluto que transcende o espaço-tempo

Se o pensamento cessa de se movimentar desaparece o eu
E aparece em todo o seu esplendor a Verdade o Amor e a Beleza

Pensamento que cessa quando o observamos em vigilância constante
Sem implicar qualquer prática mortificante

Isto é meditação
E meditação é a única coisa que vale a pena se com ela termina o sofrimento

Observar o pensamento e o seu movimento
Numa vigilância passiva
E tudo o que nos rodeia
Sem comparar ou interpretar
Em constante desenvolvimento dos sentidos
Ser
Ser sem nada buscar
Intensamente e com Paixão

Só com a meditação podes descobrir o que está para além do espaço-tempo
Enquanto Paixão e Amor caminham de mãos dadas ausentes do pensamento


Se julgas que Deus existe procura-o
Se julgas que não existe procura-o também
Não aceites máximas
Que se Deus não existisse seria necessário inventá-lo
Ou
Que se Deus existisse seria necessário aboli-lo
Procura-o dentro de ti
Não recorras a qualquer autoridade auto-investida por falsa revelação
Mas se Deus existe não serás tu um seu escravo
E se o homem cria deus não passa a ser escravo da sua própria criação

Não mates o Deus verdadeiro mas mata os deuses eleitos e pelos homens criados
Sinónimos de poder e riqueza

Se julgas que a alma existe procura-a
Se julgas que não existe procura-a também
Se existe nada mais tens para saber
Se não existe para saber mais nada tens







Que queres tu da vida
Eu
(e o que eu quero pouco importa porque importa o que tu queres)
Eu apenas quero
(o que é muito ou pouco
Tu o dirás)
Aniquilar o ciúme o ódio a agressividade
A impaciência a inquietude a inveja
A ilusão e os medos
Quero compreender a inconsistência de anseios e apegos
Libertar-me de todas as convicções e dogmas
Destruir as experiências psicológicas passadas
Ficar só
E em paz numa solidão afectuosa
Olhar as estrelas as nuvens que correm no céu azul
Os rostos das crianças das mulheres
Os ribeiros e fontes da montanha
Os picos da serrania
E o poente da minha existência
Ficar só
Estar só para amar indiscriminadamente
Para amar de modo espontâneo
Gratuitamente
Quero observar as coisas tal qual são sem interpretações ou justificações
O que é apenas e o que é
É válido
O resto é ilusão


Admite a impermanência
Tudo é insegurança
E onde reina a efemeridade
A vida torna-se exuberante e colorida


Não busques o sentido da vida
A Vida é um dom
A ser vivido com intensidade
Com Paixão
Em todos os seus momentos







Neste mundo de predadores
Não percas discernimento e bondade
Transformando-te em escravo de sistema
Asqueroso nojento e putrefacto

Aprende com a serpente
Que o teu espírito seja o dela
Aprende com a pomba
Que o teu coração seja o dela

Enquanto a acácia cresce
Crescerá a tua perspicácia
Não ofenderás nem serás ofendido
Não te perderás nem serás perdido


Faz findar o sofrimento psicológico
Prestígio ambição vir-a-ser o que não se é
Ciúme sentimento de posse inveja ódio
Limita-te a observar o que és
O querer ser é ilusão
A ilusão é dor
A dor é morte em vida
Não há maior desdita


Se queres modificar-te
Começa por conhecer-te
Minuto a minuto
Instante a instante
E a mudança ocorrerá sem esforço
Porque o que sempre se observa
Destrói todos os sentimentos negativos


Não aceites mestres
Os lírios florescem sem auxílio
Nasceram para si
E fenecem sozinhos
Tu és o teu próprio Mestre
Sem caminho
Porque para o Amor
Não há caminho
Não há destino
E um cego não pode outro cego conduzir

Cuida-te dos aduladores
Víboras de inveja
Prefere um inimigo leal
A cem amigos de ocasião



A transformação da sociedade
Depende de ti
Apenas de ti
Não depende do político
Não depende do legislador
Não depende da justiça
Nem do religioso
És tu no teu próprio caminho
Sem mapa e sem rumo
Que dia a dia construirás o mundo
Um Novo Mundo

Não te mascares
Sê tu tu mesmo sem adereços

Aprende a viver com os recursos disponíveis
Para que não te angusties na escassez e não te vendas aos poderosos


Morre para o passado já fenecido
E para o futuro inexistente
Mantém-te no Eterno-Agora
Começa sempre de novo
Imaculadamente
Só serás introduzido no mistério da Morte
Se a cada momento morreres para o eu
Só criarás quando de tudo estiveres liberto
Até da busca dessa liberdade
Porque a criação tem a sua origem no novo
E sua essência é o Todo
E a explosão da liberdade Inocência


Não sejas o jazigo magnificente
Onde no interior reina a corrupção


Não te deixes comprar
Não compres
Nem te vendas
Seja
Por valores
Ou amores

O homem nobre cuja virtude se lê nos olhos enfrenta qualquer risco ou afronta em favor da verdadeira justiça e em detrimento da imoralidade
Opta pela privação da liberdade ou mesmo pela morte quando o poder instituído o instiga a acatar normas manifestamente injustas
Não corrompe nem se deixa corromper nem se deslumbra com prestígio ou fama

Não abjures como Galileu
Rejeitando a verdade
Nem que para escapar à morte seja


Ganha o pão com o suor do teu rosto
Não com o suor de pobres e desvalidos
Que os teus cofres não se encham
De oiro e pedrarias sujos de sangue e podridão







Consome tu a Vida
Não deixes que seja ela a consumir-te


Tu és um cidadão do Universo
Universo que é dança e combate

Que teu seja o tempo da justiça
E
No dia em que te sentires feliz sem razão
No dia em que sentires prazer em tudo e nada
No dia em que sem causa teu coração se alegrar
Sabe sabe que encontraste a Terra-da-Verdade
Único lugar onde o Amar é puro e gratuito
Espontâneo verdadeiro transparente como o vento
Que encontraste a Terra-Da-Felicidade-Sem-Fim
Chamada Reino
O teu Reino




Se nenhum de vós
For agora e no futuro
Uma verdadeira revolução
Para que vivi eu então




JOSÉ MARIA ALVES

2 comentários:

Portal de Odin disse...

Muito Bom!!!!

Realmente o que temos que fazer é o nosso mergulho interior, temos que fazer a nossa revolução individual.

José Maria Alves disse...

Bem haja pelas suas palavras.

Afinal, parece que alguém leu esta carta...

É sempre bom saber, que nem todos os que nos lêem, o fazem por motivos de saúde (Homeopatia).

Um grande abraço.

Zé Maria Alves