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ARTE

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sábado, 24 de abril de 2010

GUILLAUME APOLLINAIRE - LORELEY






Em Bacharach havia uma feiticeira loira tão bela
Que os homens ficavam loucos só de olhar para ela

O bispo perante o tribunal a fez comparecer
Embora já a tivesse decidido absolver

Os teus olhos são como safiras oh bela Loreley
A que mágico roubaste essa magia ou a que rei

Os meus olhos são malditos Estou cansada de viver
Quem por mim se apaixona acaba por morrer

Não são safiras os meus olhos Se me amas
Lançai-me lançai-me com o meu feitiço às chamas

Oh bela Loreley como é que te posso condenar
Se pelos teus olhos me deixei enfeitiçar

Mandai matar mandai matar a bela Loreley
Que Deus vos perdoe que eu já vos perdoei

O meu amante partiu para além do oceano
Mandai-me matar porque só a ele eu amo

Desde que o meu amante partiu que me dói o coração
Os meus olhos tornaram-se uma maldição

Chegaram três cavaleiros cavalgando ao vento
O bispo ordenou-lhes que a levassem para o convento

Vai Loreley vai loira feiticeira
A partir de agora serás uma freira

E lá foram os quatro pela estrada fora
Os olhos de Loreley brilhavam mais que a aurora

Cavaleiros deixai-me subir àquele rochedo
Quero ver uma vez mais o meu belo castelo

Quero contemplar o meu rosto no rio uma vez mais
Pouco me importa depois para onde me levais

Lá no cimo o vento enrolava os seus cabelos
Loreley Loreley gritavam os cavaleiros

No Reno via-se um escaler ainda distante
Eu sei que lá dentro vem o meu amante

É o meu amante que chama Acabou-se a mágoa
Ela debruça-se então e cai na água

Por ter visto no Reno a bela feiticeira
Os olhos como safiras a sua loira cabeleira

Tradução de Jorge de Sousa Braga

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