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terça-feira, 19 de maio de 2009

O MEU DIA DE GLÓRIA



Chegará o dia em que nada terei ou sentirei que devo escrever.
Esse será o meu dia de glória.
JOSÉ MARIA ALVES

ARTE, ARTISTA E OBRA DE ARTE


O artista é a origem da obra de arte. A obra de arte é também a origem do artista (Heidegger) – a origem de uma coisa é a proveniência da sua essência, que é o que uma coisa é como é.
No entanto, quer artista quer a sua obra dependem da arte.
Se com Kandinsky – Do Espiritual na Arte -, podemos concluir que a obra de arte é filha do seu tempo e por vezes mãe dos nossos sentimentos, já não estamos certos de que a arte seja uma forma de projectar a luz, nas profundezas do coração humano (Schumann). De uma forma simples e convencional, a arte apresenta-se-nos como a procura do belo – se optarmos pela definição de belo, entraremos no círculo vicioso a que nos procurávamos eximir – e aí terá uma forte componente decorativa. Uma obra bela será aquela para a qual não nos cansamos de olhar ou que podemos escutar sem enfadamento.
A obra de arte – referimo-nos agora à pintura – deverá suscitar emoções que não sejam traduzíveis por palavras ou por quaisquer outros símbolos, não relevando aqui as opiniões dos obsoletos críticos, mas a forma como é vivenciada na generalidade.
Heidegger afirma, que as considerações por si tecidas na obra A Origem da Arte, concernem ao próprio enigma da arte, o enigma que ela é em si mesma. E, não o desvendando, limita-se a constatá-lo.
Um quadro meu é uma improvisação e uma meditação inconsciente do infinito. Não tem outro intento que não seja o plasmado no espaço pictórico, sem princípio ou fim, dominado em regra, pela cor que conduz pela sua profundidade o nosso olhar para a infinitude. E, antes de ser verdadeiramente espiritual, deverá ser decorativo e agradável aos sentidos.
JOSÉ MARIA ALVES

A MINHA LIBERDADE


Referimos com constância a palavra liberdade. Liberdade absoluta, relativa, colectiva, individual, política, de pensamento, de expressão.
Uma jovem, intrigada com o nosso estilo de vida, questionou-nos quanto à liberdade, a nossa liberdade, que procura negar a sociedade de escravidão que nos agrilhoa.
Escrevemos um curto memorando, que a fez sorrir. Sorrimos juntos.

Entendemos a liberdade individual como a possibilidade de:
- não partilhar qualquer crença, filosofia, clubismo e partidarismo;
- estar onde queremos, apenas onde queremos, sem quaisquer limitações psicológicas – já que as materiais são uma realidade inelutável;
- não possuir “agenda”;
- não depender dos horários de ninguém, nem dependermos de compromissos que não sejam exclusivamente nossos;
- poder partir em viagem a qualquer hora;
- ter a prerrogativa de nos relacionarmos apenas com quem queremos, sem que tenhamos de nos violentar;
- inexistirem na nossa vida programas ou projectos, cujo cumprimento se torne obrigatório, pelo envolvimento nos mesmos de terceiros;
- ficarmos sós e em paz, sempre que o desejemos, num isolamento tranquilo;
- criarmos o nosso próprio ambiente, nos locais onde habitamos, sem a interferência de terceiros;
- nos alhearmos dos problemas fúteis dos que connosco convivem;
- não dependermos psicologicamente, seja de quem for;
- não ter chefes, subordinados, relógio e gravatas.
JOSÉ MARIA ALVES

QUANDO PASSIVAMENTE ATENTOS


Se estivermos atentos, passivamente atentos, verificaremos que da nossa alma irão emergir todas as motivações ocultas, todos os “segredos”.
JOSÉ MARIA ALVES

AFECTOS E RAZÃO


Os afectos mais profundos, os que se encontram no coração, não permitem a intervenção da razão ou limitam-se a cegá-la.
JOSÉ MARIA ALVES

COMPREENDER AS PAIXÕES


Para compreender as paixões temos de compreender a natureza do prazer e da dor. Indevidamente, identificamos depois o prazer com o bem e a dor com o mal.
JOSÉ MARIA ALVES

A INDOLÊNCIA DA MENTE


A mente é extremamente indolente. Nunca procura atingir os seus limites. É acomodatícia, tal como os órgãos da visão.
JOSÉ MARIA ALVES

INJUSTIÇA E INDIGNAÇÃO


Os homens indignam-se e revoltam-se contra as injustiças quando estas os atingem, mas são-lhes alheios quando outros são os afectados.
JOSÉ MARIA ALVES

O CIÚME DE ALGUMAS MULHERES



Bastas vezes o ciúme manifestado pelas mulheres é inveja velada por outras mais atraentes e espirituosas.
JOSÉ MARIA ALVES

O SOL E A MORTE NÃO SE DEIXAM OLHAR FIXAMENTE


“O Sol tal como a morte, não se deixa olhar fixamente.” (La Rochefoucauld). Não será bem assim. Podemos olhar directamente para o Sol, desde que utilizemos o filtro adequado à protecção de nossos olhos. Para a morte, mais do que a ver, basta-nos morrer, morrer para as nossas exigências, para os prazeres e desprazeres do quotidiano. Não a “vemos”, mas vivemo-la e compreendemos a sua essência.
JOSÉ MARIA ALVES

A VIRTUDE PODE EMERGIR DE UM VÍCIO


Aquilo que em nós muitas vezes se apresenta como virtude, não é mais do que um vício recalcado, sublimado ou substituído.
JOSÉ MARIA ALVES

CAUSAS DE INSÓNIA


O excesso de bens materiais é uma das causas de insónia dos seus possuidores. Em bom rigor, pode o que abunda ter as mesmas consequências desastrosas do que falta ou escasseia.
JOSÉ MARIA ALVES

A ESPECIALIZAÇÃO


É preferível estender o nosso conhecimento a um pouco de tudo, do que ter a veleidade de tudo saber de uma parte do todo. A especialização transforma o homem num asno estereotipado que apenas conhece o caminho para o moinho, transformando-o num invisual da sabedoria.
JOSÉ MARIA ALVES

O CASAMENTO COM CRISTO

S. Jerónimo, doutor da Igreja ocidental – tal como Santo Ambrósio, Santo Agostinho e o Papa Gregório Magno –, essencialmente conhecido por ter sido o tradutor da Bíblia na versão oficial da Igreja Católica, escreveu à mãe de sua filha Eustochium, aquando dos votos desta: “Custa-te que ela escolha ser mulher de um rei – Jesus Cristo – e não de um soldado? Ela deu-te um alto privilégio; és agora sogra de Deus.”
Uma freira é esposa de Cristo.
Poderá este casamento ser dissolvido pelo divórcio?
JOSÉ MARIA ALVES

ACTOS POLÍTICOS


Os actos políticos são na maior parte das vezes interpretados como efeito de nobres intentos. Nisso, são peritos os historiadores. Mas, em boa verdade, apenas foram causados pela ambição, pela necessidade de preenchimento ou pela inveja dos seus autores.
JOSÉ MARIA ALVES

MENTIRA, ENGANO E RELACIONAMENTOS


A mentira e o engano constituem-se como a essência dos relacionamentos. Se não existissem, decerto nos tornaríamos ascetas.
JOSÉ MARIA ALVES

A NOSSA VIDA



A nossa vida assemelha-se à cidade de Roma em chamas. Não fomos nós que a incendiámos, mas somos nós que ardemos.
JOSÉ MARIA ALVES

A MENTE QUE NÃO É UM ESPELHO

A mente que não é um espelho, assemelha-se a um sótão de coisas imprestáveis.
JOSÉ MARIA ALVES

SOMOS NÓS QUE CONSTRUÍMOS A HISTÓRIA...


É um facto de que somos ambiciosos, ciumentos, vaidosos, invejosos, hipócritas e orgulhosos.
Será que se assim não fosse, nada de grandioso teria sido feito no que chamamos “civilização”, vivendo ainda os homens como pastores ou agricultores pré-históricos?
Talvez Kant tenha razão. Mas, antes pastor num mundo sem vícios, sem criminosos da humanidade e de delito comum, corruptos, ladrões e oportunistas, do que “homem civilizado”, num mundo miserável a cujos males todos fechamos os olhos, cúmplices de um número incomensurável de atrocidades, e que de grandioso nada tem.
Se é o mal o ventre gestante do progresso, então, deste, fica explicada a sua dúbia natureza.
Se nada de grande foi realizado no mundo sem paixão (Hegel), não deveremos questionar-nos em primeiro lugar quanto à natureza do que é grandioso? Podemos estar a constatar grandiosas deformidades morais ou verdadeiras monstruosidades. Somos nós que construímos a história. Mas que história é essa? A do mal que se converte em bem, do mal, puro e simples ou de um mal hipoteticamente sem validade própria?
Deixo-vos com os factos, apenas com os factos, e esses são indesmentíveis.
JOSÉ MARIA ALVES

PASCAL - ARGUMENTO DA EXISTÊNCIA DE DEUS


Porque é que existe alguma coisa em vez de nada? Porque há Deus. “Não há vazio, logo há um Deus” (Pascal). Interessante, mas pouco convincente.
JOSÉ MARIA ALVES

AS LÍNGUAS MALICIOSAS


A água corre em regra, na direcção da água, purificando tudo o que encontra no seu caminho. Pena é, que não asseie as línguas maliciosas.
JOSÉ MARIA ALVES

A CURA DOS AMBICIOSOS


Estes mesquinhos e hediondos ambiciosos não têm nem terão cura. Deixai que me corrija: irão encontrá-la no féretro, mas mesmo assim, apenas depois de ter sido engolido pela terra fúnebre.
JOSÉ MARIA ALVES

CONSUMISMO E AVAREZA


Vivemos numa sociedade excedentária. As nossas casas estão repletas de bens supérfluos.
Se o consumismo tem como consequência a acumulação de bens, a avareza conduz-nos à sua retenção e inerente perda de interesse nos mesmos.
JOSÉ MARIA ALVES

O FEL DO ADULADOR


Como são doces as palavras do adulador. Como se tornam cada vez mais doces, enquanto não consegue atingir os seus objectivos. Logo que os atinja ou caso não o consiga, as suas palavras transformam-se no mais horrendo fel.
JOSÉ MARIA ALVES

"EU" OU "NÓS"?


Concordamos com Pascal quando diz: “Alguns autores, falando das suas obras dizem: “O meu livro, o meu comentário, a minha história, etc.”. Cheiram a burgueses com bens de raiz, e sempre com um “em minha casa” na boca. Fariam melhor em dizer: “O nosso livro, o nosso comentário, a nossa história, etc.”, visto que de ordinário há nisso mais mérito alheio do que próprio”.
Vamos mais longe. Mesmo quando queremos dizer “eu” deveríamos dizer “nós”.
JOSÉ MARIA ALVES

ENVELHECER COM SABEDORIA E MORRER COM SERENIDADE


Envelhecer com sabedoria é uma das últimas artes do homem, apenas suplantada pela que nos faz morrer com serenidade. Esta última, é indubitavelmente a mais excelente dentre elas.
JOSÉ MARIA ALVES

A ESSÊNCIA DO COBARDE É O MEDO


A essência do cobarde é o medo. Medo de tudo e medo do próprio medo. Na guerra, os cobardes deixam-se abater com medo de se defenderem da agressão letal a que estão sujeitos.
JOSÉ MARIA ALVES

A FRAQUEZA


A fraqueza não é um mal sem remédio. Nem sequer é verdadeiramente um mal. É apenas fraqueza, da qual um conjunto de homens sem escrúpulos se aproveita impunemente.
JOSÉ MARIA ALVES

TRABALHO - FELICIDADE OU INFELICIDADE?


Será o trabalho uma causa de felicidade ou de infelicidade?
Será preferível à ociosidade, mesmo que monótono ou excessivo?
Porque é que os ricos continuam a trabalhar como se fossem pobres?
A primeira função do trabalho é prover à subsistência do ser humano. A segunda, porventura, prende-se com a aniquilação do tédio, porquanto a quase totalidade dos homens desconhece o modo de ocupar o seu tempo.
Existem trabalhos que são verdadeiros actos de prostituição:
“Se alguém perguntar aos jornalistas americanos ou ingleses se acreditam na política dos jornais em que trabalham, verificará, suponho, que apenas uma pequena minoria acredita; os restantes, para ganharem a vida, prostituem o seu talento ao servirem objectivos que julgam ser nocivos.” (Russell). O mesmo se diga, entre outros, dos políticos enquanto sujeitos à disciplina partidária.
JOSÉ MARIA ALVES

OS PSIQUIATRAS

Os psiquiatras nas suas consultas, apresentam-se-nos com uma serenidade imperturbável. Mais do que ciência médica, possuem o engenho e arte de esconder as suas neuroses e inquietude. Acautelai-vos pois, não seja um louco confirmado, que não vos curando ainda agrave os vossos sintomas, com o inconveniente de esvaziar progressivamente os vossos bolsos.
JOSÉ MARIA ALVES

UM MUNDO ASNÁTICO


Concordo com Rochefoucauld, que neste mundo asnático, um tolo animoso persuade mais e melhor a populaça do que um sábio desapaixonado.
JOSÉ MARIA ALVES

S. TOMÁS DE AQUINO E OS ENTES DO UNIVERSO


Em S. Tomás o universo é composto por um conjunto hierarquicamente ordenado de entes.
Deus é aquele cuja essência é igual ao ser. O mais simples e o mais perfeito dos entes.
Seguem-se-lhe os anjos, cuja essência é simples e a que acresce o ser.
Depois, o homem, que tem uma essência composta – matéria e forma imortal – e ser.
Para além do homem, todos os outros seres, que são os mais compostos e os menos perfeitos – as coisas compostas são as mais fáceis de conhecer e é através delas que ascendemos ao conhecimento das simples –, constituídos por ser e por uma essência composta de forma mortal e matéria.
A essência de uma coisa é aquilo que ela é.
Qual é a nossa essência? Quem sou eu?
Aqui estaria bem adequada a resposta que um velho Mestre Zen deu a um jovem discípulo:
- Para que queres tu, tolo, um “eu”?
JOSÉ MARIA ALVES

A "VIDA" NÃO SE MEDE EM ANOS


Podemos comparar a vida em função do tempo? Provavelmente, não.
Vive mais o sábio num único dia, do que o estulto em noventa anos.
JOSÉ MARIA ALVES

CERTO, ERRADO E CEGUEIRA E SURDEZ MENTAL


Se não houvesse “certo” haveria “errado”?
Mas, para que o “errado” exista, quem estará em condições de conhecer com segurança a essência do “certo”?
Pior do que a cegueira física é a cegueira mental.
Pior do que a surdez física é a surdez mental.
JOSÉ MARIA ALVES

ACASO, DESTINO, CAUSALIDADE, COINCIDÊNCIA E MENTE


Um avião incendeia-se em plena pista. Não há sobreviventes.
Foi um mero acidente fruto do acaso?
Foi obra do destino?
Tem uma causa próxima?
E uma causa remota?
Terá sido uma mera coincidência?
Afinal, a queda dependeu especificamente de quê?
Da nossa mente.
Temos um facto, apenas um facto: um avião que se despenhou falecendo todos os seus ocupantes.
JOSÉ MARIA ALVES

ADIANTADO OU ATRASADO?


Se te apressares na busca da perfeição, a cada momento, mais longe te encontrarás do fim ilusório do caminho e mais tempo despenderás. Em vez de adiantado, encontrar-te-ás atrasado.
JOSÉ MARIA ALVES

CONSELHO E HIPOCRISIA



O conselho de tão gratuito, é a doação que nos parece mais generosa, mas, em regra, não passa de verdadeira hipocrisia.
O amor gratuito é um bem invisível. Quando existe, abriga-se nas profundezas da nossa alma e só é perceptível pelos seus efeitos.
Questiona-te quando fazes uma doação.
Afinal, o que é que queres receber em troca?
JOSÉ MARIA ALVES

FREUD, JUNG E ADLER


Freud, na 1ª tópica, elaborou a doutrina de que a comunicação entre o inconsciente e o pré-consciente/consciente é regulada pela censura, geradora do mecanismo do recalcamento.
Estava convencido de que a tomada de consciência pelo paciente da sua neurose o libertaria dos sintomas nefastos. Mas, pela análise do caso de Anna O. entendeu que não era efectivamente assim.
Na 2ª tópica, identificou o id - domínio das pulsões que funciona segundo o princípio do prazer –, o ego – regulador do conflito entre as pulsões e as exigências do mundo exterior, realizada através dos mecanismos de defesa e funcionando segundo o princípio da realidade – e o superego – formado pela interiorização das interdições e proibições impostas pela realidade exterior ao indivíduo.
Entendeu que a cura só pode ser promovida, caso o paciente reviva e resolva o conflito que foi anteriormente mal resolvido, o que é conseguido pela livre associação de ideias e pela transferência do problema para o terapeuta –
o paciente revive as situações desfavoráveis e transfere-as para o psicanalista, e não para os entes ou circunstâncias causadoras da perturbação efectiva.
Jung, discípulo de Freud, rejeitou a teoria deste, da origem sexual das neuroses, interpretando a libido como energia vital geral e não apenas sexual.
Na sua perspectiva, o inconsciente colectivo – os famosos arquétipos –, articulando-se com o consciente e o inconsciente individual, estruturam a personalidade do indivíduo.
Já Adler, que também foi discípulo de Freud, se afastou da sua teorização, dando prevalência aos complexos de inferioridade – na maior parte das vezes de natureza inconsciente –, de que todos padecemos e que são causados por situações de inferioridade física ou mental.
Serão estes a causa directa do desenvolvimento da personalidade numa determinada direcção, tendo em consideração um processo de compensação mais ou menos complexo.

As teorizações sobre a personalidade do ser humano e da origem do seu padecimento psicológico, são manifestamente insuficientes, limitadas e praticamente inúteis. Mesmo complementando-as num sincretismo produtivo, os resultados são insatisfatórios.
O autoconhecimento para além de não ter fim, não pode em caso algum ser sistematizado.
JOSÉ MARIA ALVES

O RIO GRANDE DA ILUMINAÇÃO


O Rio Grande da Iluminação não tem margens e o caudal da Verdade é sempre o mesmo em movimento perpétuo.
Se a mente estiver vazia, haverá harmonia não só no nosso interior, como com o que nos é exterior. O vazio admite qualquer melodia.
O vazio da mente é o espaço do próprio Cosmos.
JOSÉ MARIA ALVES

COMO SOIS TOLOS!


Se as minhas reflexões incidissem sobre receitas milagrosas para o sofrimento psicológico, se mais não fossem do que sementes de infantis ilusões, quantos leitores não teria, quão vasta não seria a minha audiência?
Se me restringir aos factos e vos demonstrar a inexistência de “caminho” e de milagres, serei alvo de desmotivação e desinteresse.
Como sois tolos!
JOSÉ MARIA ALVES

OS MESTRES...

Tanto asno a viver na morte, trilhando a vereda do sono. Para viver bastar-lhes-ia estar atentos e observar a vida na sua magnificente diversidade.
Quem vive atento, constantemente atento, vive efectivamente, e não será sepultado em vida.
Os mestres dilapidam a percepção límpida das coisas.
Eu sou o meu Mestre. Não sei bem se o sou ou quando o serei, mas sei que não tenho outro.
Porquê evitar viver onde os outros vivem, e fazer o que fazem? Basta-me ser o que sou.
JOSÉ MARIA ALVES

AS MALEITAS DO CONDICIONAMENTO E DA AMBIÇÃO


O homem é ao mesmo tempo sociável e associal (Kant). Se por um lado, tem tendência para viver em comunidade, por outro, os seus interesses, em regra, conflituam com esta e são motivo de desavenças constantes.
Os rodados seguem o carro quando este se movimenta. E, quanto mais rápido se move, mais depressa o seguem. Assim, os nossos condicionamentos nos perseguem.
As serras, montanhas, vales, rios, regatos, florestas, são fontes de uma subtil luminosidade, que tanto brilha de dia quanto de noite, e é acessível aos que não tiverem o seu olhar contaminado pelas maleitas do condicionamento e da ambição.
JOSÉ MARIA ALVES

O VASO DE ARGILA


Não quero ser o vaso de argila onde os “doutos” despejam os seus ensinamentos, nem o instrumento dos poderosos, que se beneficiam beneficiando-me.
JOSÉ MARIA ALVES

SÓ O AMOR DISSIPA O ÓDIO


Que sentimento estranho este do ódio. Existirá algo ou alguém que mereça tal inquietação?
Só o amor dissipa o ódio. Onde existe o amor não pode vicejar a raiva e o ódio.
JOSÉ MARIA ALVES

segunda-feira, 18 de maio de 2009

DO PROGRESSO


No progresso já não dominam duas faces. Apenas uma: a miséria moral dos poderosos e a material dos desvalidos.
JOSÉ MARIA ALVES

O QUE É A HISTÓRIA?


A história não é mais do que uma “fábula repleta de barulho e fúria, narrada por um idiota” (Shakespeare).
Diga-se, é muito menos do que isso. É um conto onde desfilam horrores consecutivos, interpretados por quem os não sofreu, com a frieza dos nossos talhantes (cirurgiões), a quem apenas o lucro e o prestígio afectam.
JOSÉ MARIA ALVES

FILOSOFIA, TEOLOGIA, RELIGIÃO E SOFRIMENTO


A filosofia, tal como a teologia ou num plano mais simplificado, a religião, muito podem dizer, mas pouco convencem quem sofre, tal como a mãe que vê o seu filho ser estropiado numa guerra cujas motivações não alcança, o homem que vê desaparecer toda a sua família à passagem de devastador furacão ou, àquele cujo corpo minado de doenças vegeta numa velha cama coberto por trapos imundos.
JOSÉ MARIA ALVES

O LUCRO


Os homens de negócios não têm amigos, à excepção do Lucro.
JOSÉ MARIA ALVES

AS COISAS DO MUNDO QUE MAIS ME ABORRECEM



Das coisas do mundo, as que mais me aborrecem são as conversas e acções fúteis, o exagerado simbolismo dos poetas, a estéril ficção dos escritores e a comida requintada.
Outras, evidentemente, não me aborrecem, indignam-me!
JOSÉ MARIA ALVES

A SUPERSTIÇÃO DO SÉCULO XXI


Estamos obcecados pelo mal no mundo e pelo que nos atinge. Não havendo forma de o exorcizar, pela constatação da fraqueza dos deuses, o ser humano recorre cada vez mais às artes divinatórias, às bruxas e bruxos do século XXI. Portador de crédula racionalidade a raiar os limites da irracionalidade, o homem é um ente pré-histórico revestido de novas tecnologias, um estulto que usa como arma de arremesso contra a angústia existencial e contra o desespero, a superstição.
JOSÉ MARIA ALVES

O ÓDIO É MAIS PODEROSO QUE A INVEJA


A inveja não é mais forte do que o ódio. Muitas vezes, o ódio é fruto da inveja e podendo esta ser dissipada pela vigilância passiva exercida pelo cérebro, verificamos que o ódio subsiste.
JOSÉ MARIA ALVES

TER OU NÃO MÉRITO


Se eu tiver algum mérito, que o tenha. Se for ou não reconhecido, que o seja ou não.
Poder-me-ão interessar tais futilidades?
JOSÉ MARIA ALVES

O RENASCIMENTO DE SATANÁS


Não podendo exterminar o mal, a sociedade contemporânea, ignorante e supersticiosa, fez renascer Satanás. Adere cegamente ao que Santo Agostinho renunciou há séculos: o dualismo maniqueísta.
JOSÉ MARIA ALVES

A "LUZ"


Há certamente uma Luz em qualquer lugar ou em todo e qualquer lugar. No entanto, a ânsia dos objectivos obscurecem-na, e a sôfrega azáfama da busca cega-nos.
JOSÉ MARIA ALVES

SE DEUS NÃO EXISTE...


Se Deus não existe, então, apenas te é permitido agir em conformidade com a tua consciência. A sua eventual não existência não legitima toda e qualquer acção.
JOSÉ MARIA ALVES

PAÍS FALIDO


Um país de avarentos, seria um país falido.
JOSÉ MARIA ALVES

OS SÓRDIDOS GOVERNANTES DO TERCEIRO MUNDO


“Quantos homens vivem do sangue e da vida dos inocentes, uns como tigres, sempre selvagens e cruéis, outros como os leões, aparentando alguma generosidade, outros como os ursos, grosseiros e ávidos, outros, como os lobos, deslumbrantes e sem piedade, outros ainda, como as raposas, que vivem da sua esperteza e cujo ofício é enganar!” (La Rochefoucauld)
Esta descrição do moralista, lembra-me de imediato os sórdidos governantes do terceiro mundo, que acumulam riquezas imensas, propriedade do povo que ironicamente os elegeu – quando os elegeu... –, enquanto este se alimenta dos contentores de lixo. Mas, não só os governantes, como todos os que por cumplicidade e aproveitamento próprio, colaboram em tal monstruosidade, tais corvos e abutres.
JOSÉ MARIA ALVES

O DISCURSO POLÍTICO É UM PREDADOR DE TOCAIA


Um discurso político bem organizado, ornado de frases belas e tocantes, mais não é do que um predador de tocaia.
JOSÉ MARIA ALVES

MUDAR O MUNDO PELA FORÇA DAS ARMAS


Os que acreditam ser possível mudar o mundo pela força das armas, são verdadeiros asnos. Pelas armas apenas geramos uma destruição parcial, sem que a essência do mundo seja alterada. Não é o mundo que muda, mas cada homem em si, e consequentemente, por força desta mudança ocorre aquela.
JOSÉ MARIA ALVES

MAUS TRATOS A FILHOS - VINGANÇA DOS PAIS


Foi feito um estudo num país desenvolvido, onde se determinou que nove pais em cada dez, que maltratam os filhos, foram eles próprios vítimas de maus tratos. Isto é vingança, inconsciente ou não, é pura vingança. Não teorizemos, porque o facto é o de que o homem é vingativo.
JOSÉ MARIA ALVES

DIGNIDADE


Se caçares, nunca dispares sobre a presa que repousa. Na "guerra", nunca dispares nas costas do adversário.
JOSÉ MARIA ALVES

QUERER SER O QUE NÃO SOMOS


Se por imitação de certos modelos que julgamos ideais, queremos ser o que não somos, transformamo-nos não nos modelos idealizados, mas em artistas de circo, aparentados aos palhaços.
JOSÉ MARIA ALVES

O ALAMBIQUE DO ÓDIO


O tipo de amor que cultivamos é o alambique do ódio.
JOSÉ MARIA ALVES

OS NOSSOS POLÍTICOS


Os nossos políticos afirmam-se socialistas, democratas, humanistas, arvorando-se em defensores dos mais desfavorecidos, mas agem como os iníquos, enriquecendo os ricos e empobrecendo os pobres.
JOSÉ MARIA ALVES

O MAL FAZ PARTE DA NATUREZA HUMANA


O mal faz parte da natureza humana, como o Sol do sistema solar. “A julgar pelos nossos desejos inconscientes, não somos mais do que um bando de assassinos.” (Freud)
JOSÉ MARIA ALVES

O ENGANO DA MEDICINA ALOPÁTICA


Os resultados obtidos pela medicina alopática são duvidosos. Estamos certos, de que na maioria dos casos, a alopatia – medicina convencional – é perniciosa para a saúde da humanidade, já que, para só citar uma das suas desvantagens, tem vindo a diminuir drasticamente a eficiência do nosso sistema imunitário. Mais quantidade de vida e nenhuma qualidade. Não nos esqueçamos que também ela se arroga das qualidades do progresso...
JOSÉ MARIA ALVES

LISONJA - F..... OU CANELADA


Nunca gostei de ser lisonjeado. Do adulador e do melado nada mais esperes do que “f.... ou canelada.”.
JOSÉ MARIA ALVES

COMO É FÁCIL DISCURSAR ACERCA DA FELICIDADE...


Não há finalidade que justifique o mal no mundo. Teólogos, filósofos e revolucionários – a revolução é a modificação de um estado de coisas, não a sua destruição – tropeçam nos seus próprios argumentos.
Num realismo pouco confortável, constatamos que temos de conviver com tal maleita, como quem padece de doença crónica.
Mas, não teremos de a combater, tendo por única arma a solidariedade humana (Lacroix)?
No entanto, perguntemo-nos: onde habita essa solidariedade, a solidariedade real, não a inventada pelas nossas mentes na busca de autoconsolo? Nos delitos, nos crimes mais horrendos, na opressão dos desfavorecidos pelos seus governantes, no egoísmo, na procura do lucro fácil, no poder instituído, na inveja, na falsa compaixão? Afinal, naquilo que somos, nessa nossa natureza, que mais não vê do que o próprio umbigo e deseja ou consente a desgraça alheia?
O mal só pode ser dissipado, por cada um de nós, em nós mesmos. Tudo o resto são promessas falazes de abjectos vendilhões da felicidade. E, como é fácil discursar acerca da felicidade!
JOSÉ MARIA ALVES

ESCRAVOS DAS NOSSAS PAIXÕES


Quando escravo das minhas paixões, faço o que aos outros agrada para me agradar ou satisfazer. Quando estas não minam o meu espírito, faço o que me torna sereno e agrada, sem pensar nos resultados.
JOSÉ MARIA ALVES

NO SILÊNCIO HÁ UMA GRANDEZA ÍMPAR


No silêncio há uma grandeza ímpar. Para além dele, está a frouxidão, a fraqueza, a autocompaixão, a miséria espiritual.
JOSÉ MARIA ALVES

OS HOMENS PRENDEM-SE PELA PALAVRA E OS TOUROS PELOS CORNOS


Um velho sábio da minha aldeia, disse-me há muitos anos, ainda eu era criança, algo que nunca esqueci: “os homens prendem-se pela palavra e os touros pelos cornos.”
Estranho mundo este em que os homens são presos pelos cornos, e talvez os touros pela palavra...
JOSÉ MARIA ALVES

AS MELHORES LIÇÕES


As maiores lições que recebi na vida, foram-me ministradas não por catedráticos e outros “papagaios”, mas por homens simples e humildes.
JOSÉ MARIA ALVES

DUVIDAR DE TUDO


Na vida vigora a dúvida.
Duvidai sempre de tudo, mesmo de mim, especialmente de mim.
JOSÉ MARIA ALVES

O EXAGERO NOS CONSELHOS


Não devemos exagerar nos conselhos que por amizade ou compaixão aos outros damos. Necessitamos sempre de entender, quais os limites impostos ao aconselhamento impostos pelo próprio aconselhado.
JOSÉ MARIA ALVES

A SABEDORIA QUE VENCE O MAL


A sabedoria que vence o mal não é colectiva, é meramente individual. O colectivo é a imagem reflectida, ainda que distorcida do próprio mal. E, contentemo-nos com a certeza – se certezas existem – de que a parte modifica o todo.
JOSÉ MARIA ALVES

ESTEREOTIPIA

A graça do estereotipado é a sua desgraça social.

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

FALAR MUITO E POUCO FAZER


Quando jovem, tenho consciência de que falava muito e de modo convincente – um dom que não cultivei, mas que possuía, ao que se diz... –, mas pouco fazia.
Hoje, aborrece-me falar, e há quem diga que algo faço. Pelo menos, não desbarato palavras, o que já é muito fazer.
JOSÉ MARIA ALVES

MITO PLATÓNICO DA CAVERNA E IGNORÂNCIA ACTUAL


O mito platónico da caverna, adapta-se com perfeição à ignorância generalizada dos nossos tempos.
Os homens são escravos que se encontram agrilhoados numa caverna, apenas podendo olhar o seu fundo e as sombras que do exterior aí são projectadas. Para eles, sem qualquer outra compreensão, essas sombras são a única realidade que conhecem, nada mais conseguindo intuir, quer por ignorância quer por inépcia. Se um dos escravos se conseguir libertar, atingindo assim a almejada alforria, ir-se-á progressivamente habituando à luz, até que consiga contemplar a verdadeira realidade na sua integridade, inclusivamente o Sol. Se voltar à caverna, ofuscado pela luz exterior, não saberá discernir convenientemente as sombras e será escarnecido por todos os outros. No entanto, sentirá uma imensa compaixão com os que se satisfazem e comprazem no entendimento das sombras e da ilusão, ignorando a REALIDADE.
JOSÉ MARIA ALVES

A ARTE EXORCIZA-NOS DO MAL


A arte defende-nos, “exorciza-nos do mal”, como diz Nietzsche. Mas só a obra que não tem princípio nem fim manifesta esse poder.
JOSÉ MARIA ALVES

HOMEM NOBRE E HOMEM COMUM


Um homem de bem não se atém a opiniões preconcebidas, e age em conformidade com a sua consciência, manifestando imparcialidade em todos os seus actos. O homem comum age em conformidade com os seus próprios interesses e sempre na mira do aproveitamento pessoal.
JOSÉ MARIA ALVES

VICTOR HUGO E A ABERRAÇÃO DAS TEODICEIAS


Victor Hugo, após a morte da sua filha, revoltou-se, sentiu-se tentado a blasfemar, acabando por se resignar.
Num poema, escreveu:

Peut-être est-il utile à vos desseins sans nombre
Que des êtres charmants
S´en aillent, emportés par le tourbillon sombre
Des noires événements.

Mais uma justificação para o mal que nos assola. Encontrar consolo nos desígnios obscuros de Deus, uma razão não menos obscura, que legitime os “azares” e desgraças do mundo.
Que aberração a das teodiceias!
JOSÉ MARIA ALVES

UM ÓPTIMO DIA PARA MORRER


Se eu hoje tivesse atingido a Verdade, poderia morrer serenamente ao crepúsculo.
Seria um óptimo dia para morrer!
JOSÉ MARIA ALVES

DOS VÍCIOS INTUÍMOS AS VIRTUDES


Os vícios do homem decorrem do seu carácter e personalidade. Quando conhecemos os seus vícios, temos sérias probabilidades de intuir as suas virtudes.
JOSÉ MARIA ALVES

TEODICEIA - A ARGÚCIA FALACIOSA DO PENSAMENTO


Da história, principalmente da judaica, retiraram filósofos e teólogos, a certeza de que Deus usa o mal para daí fazer nascer o bem. Santo Agostinho pensa que Deus nada deixaria subsistir de mal na sua obra, se na sua omnipotência e bondade não tivesse a intenção de fazer derivar o bem do mal.
Como é astuto o pensamento! Que estranha forma de reconciliação entre o homem “religioso”, crente num Deus que tem em si a ideia suprema de Bem, com a inevitabilidade do mal.
O mal é tão omnipotente no mundo, quanto Deus na especulação dos metafísicos e teólogos. Como é que poderemos fundamentar tal facto? Se Deus tem em si, todo o poder – mesmo o inimaginável –, se ele é a ideia suprema de Bem – para usarmos a terminologia platónica –, como pode permitir o mal? Iremos retirar-lhe o atributo da omnipotência? Ou muito simplesmente, de forma infantil, atribuímos o mal a uma outra “divindade”, a um demónio, a Satanás? Podemos gerar a premissa, que a criação do homem – criação que só se pode compreender como acto de amor –, faz-se intrinsecamente acompanhar do seu livre arbítrio, para que o Bem ou Deus seja atingido pela maioria dos seres racionais criados. Um novo argumento, engenhoso a uma primeira aproximação. Mas, na sua omnisciência, não terá o Ser Supremo previsto que tipo de mundo viria a existir atenta a imperfeita natureza dos entes racionais que gerou? E que ascender a si, restaria destinado a um punhado de eleitos?
Não terão cabimento, nesta sede, as palavras de Epicuro? E isto apesar dos argumentos se restringirem aos efeitos da criação de um mundo onde o mal habita, sem que se considere o próprio acto da criação, já predestinada à fatal apropriação daquele:
A divindade, ou quer suprimir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode é impotente; e a divindade não o pode ser. Se pode e não quer, é invejosa, e a divindade não o pode ser. Se não quer e não pode, é invejosa e impotente, portanto não é divindade. Se quer e pode (que é a única coisa que lhe é conforme) donde vem a existência dos males e porque não os elimina?
Leibniz, criador da palavra teodiceia – que pretende demonstrar pela razão que não podemos imputar a Deus os múltiplos erros do mundo –, elaborou um conjunto de argumentos, intentando demonstrar que Deus criou o melhor dos mundos, e que na ordem é natural que exista alguma desordem, ou seja, o mal, sob pena daquela ser imperfeita – se o mundo fosse bom e só bom, seria imperfeito, já que a dissonância gera muitas vezes na composição musical, a harmonia.
Mais uma vez a argúcia falaciosa do pensamento.
Deixemos para momento posterior uma observação mais cuidada da teodiceia...
JOSÉ MARIA ALVES

O CRIMINOSO FOI BASTAS VEZES VÍTIMA


O criminoso foi bastas vezes uma vítima da delinquência, na infância e na adolescência.
JOSÉ MARIA ALVES

SE "PENSO LOGO EXISTO", TAMBÉM "NÃO PENSO E EXISTO"


O que me garante que o meu pensamento não é uma ilusão gerada por qualquer ente desconhecido ou acidente fortuito? E se o for, tal como eu também o posso ser, a “verdade” cartesiana é também uma ilusão, fruto ou consequência de uma cadeia ininterrupta de ilusões. Ilusões não podem gerar certezas.
Partindo do princípio que existo, mesmo que deixe de pensar, como o tenho feito muitas vezes, ainda que temporariamente, continuo certo da minha existência.
E, se “eu penso, logo existo”, também “eu não penso, mas não deixo de existir” ou, “não penso e existo”.
JOSÉ MARIA ALVES

domingo, 17 de maio de 2009

O "NOSSO PRÓPRIO LIVRO" E O "LIVRO DA VIDA"


Há um momento em que necessitamos de abandonar os estudos exaustivos dos doutos decrépitos para “lermos” o Nosso Próprio Livro e o Livro da Vida, “obras” absolutamente indissociáveis.
JOSÉ MARIA ALVES

O FILÓSOFO


Um filósofo competente é o que aspira ao conhecimento, duvida do seu próprio saber, tem espírito lógico e um pensamento lúcido. Pena é que na maior parte dos casos, mais não seja do que um profissional da razão, competente, tal almocreve pobre que falece abraçado às suas bestas de carga.
JOSÉ MARIA ALVES

VERDADES TEOLÓGICAS


As verdades reveladas na teologia têm de estar forçosamente muito para além do entendimento, sendo nalguns casos perfeitamente absurdas, para que os doutos lhes dêem assentimento.
JOSÉ MARIA ALVES

ESTRANGEIROS NA SUA PÁTRIA


Os que se ausentam da sua pátria por longos períodos, são sempre estrangeiros: estrangeiros quando regressam e estrangeiros onde fixaram residência. Terão de aprender a ser cidadãos do mundo.
JOSÉ MARIA ALVES

SENTIDOS E RAZÃO


Existe a matéria ou o mundo é um sonho repleto de ocorrências e mudanças ininterruptas?
Tantas vezes o cobre nos pareceu ouro, o vidro diamante e a corda ao crepúsculo perigosa serpente, que abandonamos definitivamente a nossa confiança nos sentidos.
Estes, não nos enganam no todo. Se não nos permitem ver a realidade tal qual ela é, permitem-nos a percepção possível. Mas, a razão não tem motivos para se vangloriar, já que também está sujeita aos erros que lhe são por natureza inerentes.
JOSÉ MARIA ALVES

ESTADO DE VIGÍLIA E ESTADO DE SONHO


É apenas a realidade percebida no estado de vigília, que é real ou, também o é a percepcionada no estado de sonho? Ambas!
JOSÉ MARIA ALVES

NADA EXISTE NO ENTENDIMENTO QUE NÃO TENHA PRIMEIRO ESTADO NOS SENTIDOS


A máxima de “que nada existe no entendimento que não tenha primeiro estado nos sentidos”, não deve ser interpretada num sentido literal e redutor. Os sentidos são incapazes de nos fornecer todos os objectos do entendimento, não obstante ocupem uma posição privilegiada no conhecimento que temos do mundo.
JOSÉ MARIA ALVES

VAIDADE E ADULAÇÃO


A vaidade lisonjeia-nos, enquanto que a adulação transforma nos outros a fealdade em beleza, a ignorância em sapiência, a maldade na bondade.
JOSÉ MARIA ALVES

SANTOS, TRINDADE E IDOLATRIA


A adoração dos santos – cada um com as suas funções específicas nas maleitas físicas e psicológicas do ser humano – e da Virgem Maria, cujos poderes e veneração parecem ultrapassar os do Filho, constituem-se como uma verdadeira idolatria.
Também a Trindade, é manifestação do ancestral paganismo.
JOSÉ MARIA ALVES

MUITO PREZO O ANONIMATO


Muito prezo o anonimato, viver na obscuridade como Epicuro ou “caminhar mascarado” como afirmava Descartes. Evito estar sempre nos mesmos locais, rodeado de amigos ou conhecidos que possam reconhecer, ainda que erroneamente, a minha autoridade nalguns dos domínios do conhecimento. Há uma beleza íntegra e uma acolhedora serenidade na solidão afectuosa.
JOSÉ MARIA ALVES

PODEROSOS E ADULADORES


Os poderosos não têm amigos. Apenas víboras aduladoras. E assim, bem estão uns com os outros.
JOSÉ MARIA ALVES

O CORNUDO


O marido enganado, o cornudo, ainda que escarnecido e motivo de chacota, é consentido pela comunidade, porque tal estado é atributo de muitos e não poucos dos seus elementos varões.
JOSÉ MARIA ALVES

HOMEM VELHO E MULHER NOVA


Sempre encontrei graça nos velhos ricos, que na mira do rejuvenescimento e quiçá, do falacioso reconhecimento social da sua virilidade extinta, casam com esbeltas jovens, que tanto prazer nos proporcionam, sem que tenhamos o ónus de as sustentar.
JOSÉ MARIA ALVES

EM BUSCA DE UMA TEODICEIA

Neste mundo bélico, constatamos desde o nascimento daquilo que apelidamos civilização, mais guerras do que anos, e uma imensidão de crimes horrendos. Que Deus odioso nos terá criado e enviado para tal mundo?
JOSÉ MARIA ALVES

SANDICES E BABOSEIRAS


É com sandices e baboseiras que comovemos essa horrenda alimária que é o povo.
JOSÉ MARIA ALVES

ERASMO E A DEFINIÇÃO DE MULHER


Interessante é a seguinte passagem do Elogio da Loucura, de Erasmo: “A mulher é um animal louco como nenhum, inepto, ridículo e delicioso que no convívio doméstico atenuaria a tristeza do engenho viril com a loucura feminina. E claro que, quando Platão parece hesitar em incluir a mulher entre os animais racionais, nada mais pretende do que indicar a loucura insigne desse sexo. Quando por acaso uma mulher quer passar por sábia, não faz mais do que dizer que é duas vezes louca. Ninguém vai ungir um boi para a palestra, nem Minerva o consentiria. Não procedamos, pois, contra a natureza; o vício fica agravado quando dissimulado de virtude, por maior que seja o engenho. É bem justo o provérbio grego: um macaco é sempre um macaco, ainda que vestido de púrpura. Assim também a mulher é sempre mulher, quero dizer sempre louca, ainda que ponha uma máscara.”
JOSÉ MARIA ALVES

A ASTÚCIA NATURAL DA MULHER



A mulher é muito mais astuta e ardilosa que o homem. Com que engenho encobre e nega as suas infidelidades!
JOSÉ MARIA ALVES

SOCIEDADE DAS APARÊNCIAS


Sociedade de aparências. Carro topo de gama, casa luxuosa e fome em casa.
JOSÉ MARIA ALVES

O LOUCO NUNCA "PECA"


O louco nunca peca. A sua natureza desconhece a vergonha, a ambição, a inveja, o ciúme, o amor e o medo.
JOSÉ MARIA ALVES

SANTO AGOSTINHO ANTECIPOU-SE A DESCARTES E A KANT


É interessante realçar de que Santo Agostinho antecipou a teoria de Kant sobre o tempo – subjectiva –, bem como o cogito cartesiano: “Tu que desejas conhecer, sabes quem és? Sei. Donde vens? Não sei. Sentes-te simples ou múltiplo? Sentes que te moves? Não sei. Sabes que pensas? Sei.” (Solilóquios)
JOSÉ MARIA ALVES

QUANDO A SERENIDADE NOS INUNDA



Quando nos dedicamos a viver o momento, a serenidade inunda-nos.
JOSÉ MARIA ALVES

TEMPO DE RECOLHIMENTO E PAZ


Aproxima-se o Inverno. Tempo de recolhimento e paz.
JOSÉ MARIA ALVES

VALORIZA O QUE OUVES SEM OLHAR A QUEM O DIZ


Não valorizes apenas o que te é dito em função de quem o diz, mas valoriza o que ouves sem olhar a quem o diz. Não te limites a ouvir, mas penetra na alma do orador, sem que te deixes inebriar por belas palavras e por inconsequente, mas melodioso discurso.
JOSÉ MARIA ALVES

ANTES DISCÍPULO, DEPOIS MESTRE


Ninguém é mestre de um qualquer mester antes de ter sido discípulo.
JOSÉ MARIA ALVES

OS HISTORIADORES



Os estudiosos do passado são em regra, os maiores ignorantes do presente.
JOSÉ MARIA ALVES

OBSTÁCULOS AO DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL


Não é pela fuga aos relacionamentos que o homem se torna melhor. Mas, se alguém, seja pai, seja filho, amante, amigo ou conhecido se constituir num obstáculo ao teu desenvolvimento espiritual, só tens um remédio para tal maleita: a indiferença.
JOSÉ MARIA ALVES

A INJUSTIÇA


A injustiça tem na maior parte das vezes a sua causa na omissão dos que em autoria moral ou mera cumplicidade permitem a sua prática.
JOSÉ MARIA ALVES

DOR FÍSICA E MENTE


A dor física é um mal para o corpo, que não deve afectar o espírito.
JOSÉ MARIA ALVES

O ARREPENDIMENTO


O arrependimento é uma censura pessoal, como consequência da prática de um acto, que segundo a nossa consciência ou os imperativos sociais vigentes em determinado tempo e lugar, por nós assimilados, não deveríamos ter praticado ou que deveríamos praticar, e de forma negligente ou dolosa omitimos.
JOSÉ MARIA ALVES

DA VIDA SIMPLES

A melhor das vidas é a que está envolta em simplicidade, modesta, mas sem subserviência.
JOSÉ MARIA ALVES

NÃO HÁ "INTERIOR" SEM "EXTERIOR" NEM "EXTERIOR" SEM "INTERIOR"


Não te atenhas única e exclusivamente às coisas exteriores nem às interiores. Une-as na perfeição do caminho intermédio, porque não há interior sem exterior nem exterior sem interior.
JOSÉ MARIA ALVES

OS FACTOS DESAGRADÁVEIS



É o juízo que formulamos acerca dos factos desagradáveis que os torna intoleráveis.
JOSÉ MARIA ALVES